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Ecossistema do Peru está perdendo aliado fundamental

30/11 - 15:35 - The New York Times

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ICA, Peru - Um pequeno bosque de huarango, a gigantesca árvore que pode viver mais de um milênio, sobrevive como uma miragem entre as dunas de areia na extremidade desta cidade. A árvore proporcionou aos habitantes deste deserto comida e madeira desde antes da civilização Nazca, 2 mil anos atrás.

NYT
Árvores huarangos são vistas entre dunas em Ica, no Peru

Árvores huarangos são vistas entre dunas em Ica, no Peru

A árvore huarango, uma gigantesca parente da prosopi do sudoeste americano, sobreviveu à ascensão e queda de civilizações pré-hispânicas e aos saques dos conquistadores espanhóis.

Hoje, no entanto, os peruanos representam o que pode ser o desafio final ao frágil ecossistema mantido pela huarango na costa sudoeste do Peru. Os moradores da região estão cortando o que sobrou da antes vasta floresta para obter carvão e lenha.

A depleção da huarango está causando alarme entre ecologistas e fazendo surgir esforços para salvar a árvore.

"Nós não percebemos que estamos cortando um de nossos próprios membros quando destruímos uma huarango", disse Consuelo Borda, 34, que ajuda a coordenar um pequeno projeto de reflorestamento no local.

Ela explicou que galhos da árvore podem ser usados na fabricação de farinha, adocicados em melado ou fermentados em cerveja.

Mas muitos peruanos veem a huarango como a madeira própria para o carvão de cozinha usado para se fazer um prato de frango típico da região.

A madeira da huarango queima por muito tempo, gerando um carvão duradouro. Os moradores da região deram de ombros à uma proibição de cortar a árvore estabelecida pelas autoridades regionais.

Que o huarango sobreviva pode ser um milagre. Depois de séculos de desmatamento sistemático, apenas 1% dos bosques de huarango originais permanecem intactos, de acordo com cientistas.

Uma equipe de arqueólogos britânicos descreveu em um estudo como a Nazca induziu uma catástrofe ambiental ao cortar as árvores huarango para plantar colheitas de algodão e milho, expondo a paisagem aos ventos do deserto, erosão e inundações.

O projeto de reflorestamento de Borda busca reverter os danos feitos pelas ceifeiras de carvão. É uma luta difícil.

Um vendedor de carvão pode vender um alqueire de huarango como lenha por aproximadamente US$ 1 - uma pechincha em um lugar onde um litro de gás natural custa mais de US$ 10.

O projeto de Borda plantou aproximadamente 20 mil huarangos. Mas os pesquisadores dizem que o projeto é uma ninharia perto do que precisa ser feito.

"O Peru precisa de repensar sua 'trajetória de desenvolvimento'", disse Alex Chepstow-Lusty, um paleo ecologista do Instituto Francês de Estudos Andinos que trabalha no estudo da Nazca. "Um enorme programa de reflorestamento é necessário".

Por Simon Romero

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