09/11 - 08:40 - The New York Times
PARIS - O legado histórico de 1989, quando o Muro de Berlim caiu e a Guerra Fria descongelou, é tão político quanto os levantes populares daquele ano decisivo.
Os eventos de 1989 deram início a uma transformação notável da Europa, que agora é completa e livre. Além disso, reunificaram a Alemanha.
Estes marcos são motivos de comemoração em todo o continente, incluindo uma extravagante celebração franco-alemã nesta segunda-feira na Praça da Concórdia, em Paris.
Mas 1989 também criou novas divisões e nacionalismos ferozes que marcam as relações da União Europeia até hoje, entre Oriente e Ocidente, França e Alemanha, Europa e Rússia.
Parte da intensidade destas divisões é evidente no cabo-de-guerra, tanto na Europa quanto nos Estados Unidos, a respeito das conquistas de 1989 - se elas se devem mais ao anti-comunismo resoluto do presidente Ronald Reagan ou seu oposto, o abraço com luvas brancas do mundo Oriental por muitos países da Europa Ocidental.
E enquanto muitos no Ocidente viram a roda da história girar inevitavelmente, causando a vitória da democracia e banindo rivais do poder americano, a China evitou sua própria revolução em 1989 e se catapultou à prominência através de um capitalismo autoritário agora estudado pelos líderes da Rússia.
"O chineses hoje têm um capitalismo leninista que nenhum de nós imaginava possível em 1989 e que agora é o principal oponente ideológico da democracia liberal Ocidental", disse Timothy Garton Ash, cronista de 1989 em seu livro "The Magic Lantern".
Grupos diferentes em países diferentes vêem o aniversário de formas diferentes, normalmente de seus próprios pontos de vista ideológicos.
Apesar de todas as discordâncias, no entanto, segundo Ronald D. Asmus, vice-secretário de Estado assistente para a Europa da gestão Clinton e diretor de Bruxelas no German Marshall Fund, o que aconteceu foi simplesmente incrível.
"Se alguém me perguntasse em 89 se nós teríamos todos estes países na Otan e na União Europeia, eu teria uma postura incrédula", disse Asmus.
"Nós perdemos a concepção da amplitude desta realização histórica incrível - o coração da Europa Central e Oriental está em paz. Nem todos os problemas estão completamente resolvidos, mas eles são temperados, controlados e contidos e nós temos uma chance melhor de resolvê-los".
Até mesmo a breve guerra entre a Geórgia e a Rússia no ano passado teria sido muito diferente sem a Otan, Asmus argumenta.
"Já não há questões existenciais", ele disse. "Estes não são problemas presidenciais, mas problemas para assistentes de secretários de Estado".
- Steven Erlanger
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