09/11 - 15:35 - The New York Times
Abdi Akgun entrou para os Fuzileiros Navais em agosto de 2000, logo depois de terminar o ensino médio e disposto a servir seu país. Como muçulmano, os ataques do 11 de setembro apenas acirraram sua resolução em combater o terrorismo.
| NYT |
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Abdi Akgun em sua casa em Lindenhurst, Nova York |
Mas dois anos depois, quando Akgun foi enviado ao Iraque com a 26ª Unidade Expedicionária Marine, a ideia de confrontar muçulmanos na batalha lhe fez parar para pensar.
Ele foi assombrado pela possibilidade de acabar matando civis inocentes e ficou aliviado quando nada disto aconteceu.
"É como a Guerra civil, na qual irmãos combateram uns aos outros na fronteira Mason-Dixon", disse Akgun, 28, de Lindenhurst, Nova York, que voltou do Iraque sem ter participado de um combate direto. "Eu não quero manchar minha fé, eu não quero manchar meus semelhantes muçulmanos e eu também não quero manchar a bandeira do meu país".
Desde o incidente no Forte Hood na quinta-feira, no qual o major Nidal Malik Hasan do Exército é acusado de matar 13 pessoas, muitos militares muçulmanos e seus comandantes dizem temer que o relacionamento entre as forças armadas e seus membros em serviço que seguem esta fé se torne ainda mais complicado.
Seja quais forem os seus motivos, o retrato que emerge da vida de Hasan nas forças militares mostra a luta e frustração sentidas por outros muçulmanos nos serviços militares.
Ele estava desiludido com as guerras no Afeganistão e Iraque, que via como uma guerra contra o islã, de acordo com amigos e parentes. Além disso, foi sujeitado a insultos e descriminações por soldados da sua categoria por ser muçulmano.
Seu tio Rafik Hamad, que vive em Ramallah, disse que alguns dos soldados da mesma categoria de Hasan certa vez o chamaram de "jóquei de camelo".
Ainda assim, mais de 3.500 muçulmanos foram enviados ao Iraque e Afeganistão, de acordo com dados militares obtidos pelo The Times.
Em 2006, 212 soldados americanos muçulmanos haviam recebido medalhas de honra em combate por seu serviço no Iraque e Afeganistão e sete foram mortos em batalha, de acordo com os dados.
Eric Rahman, 35, reservista do Exército que ganhou a estrela de bronze por seu serviço no Iraque, citou como exemplo o Baixo Oficial Michael A. Monsoor, um SEAL da Marinha que ganhou a Medalha de Honra depois de resgatar um membro de sua equipe durante um combate em 2006, em Ramadi, Iraque.
Monsoor morreu, salvando outro americano, contudo ele terá pouca chance de compartilhar o holofote agora concedido a Hasan, disse Rahman.
Por ANDREA ELLIOTT
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