05/11 - 10:09 - The New York Times
NOVA YORK - A Assembleia Geral está se preparando para aprovar uma resolução que endossaria o relatório da ONU que pede que tanto Israel quanto os palestinos investiguem possíveis crimes de guerra em Gaza em um prazo de três meses.
O órgão mundial começou a discutir a resolução não obrigatória, apresentada por aproximadamente 20 países membros da Liga Árabe, inclusive o Iraque, na quarta-feira, mas com cerca de 50 nações programadas para falar a votação não aconteceu e deve ser retomada nesta quinta-feira.
Dado o amplo apoio à causa palestina e crítica à Israel, a aprovação da medida parece garantida.
Alguns membros da União Europeia ameaçavam se abster, porém, esperando mudanças. Uma questão ausente no relatório, segundo eles, seria pedir que o secretário geral Ban Ki-Moon trabalhe com o Conselho de Segurança em ações adicionais.
Outra seria o endosso completo de uma resolução tomada no mês passado pelo Conselho e Direitos Humanos da ONU para adotar o relatório completamente, afirmam os diplomatas.
O relatório de 575 páginas, que foi divulgado em setembro, contém evidência de crimes de guerra cometidos pelo exército israelense e combatentes do Hamas durante a guerra em Gaza no ano passado.
O relatório foi pesquisado e escrito por uma missão criada pelo Conselho de Direitos Humanos e conduzido por Richard Goldstone, um juiz sul-africano e ex-promotor de crimes de guerra na Ruanda e antiga Iugoslávia.
Ainda não está claro se algum membro da União Europeia vai levar adiante a ameaça de se abster. O embaixador Anders Liden da Suécia, falando como atual presidente do bloco, disse que os europeus permaneceram preocupados a respeito das condições humanitárias e de direitos humanos nos territórios ocupados por Israel.
Israel mantém um bloqueio ao redor de Gaza, impedindo a entrada de centenas de milhões de dólares em ajuda prometida por inúmeros governos, incluindo os Estados Unidos, para a reconstrução do território depois da extensa destruição causada pela guerra.
A resolução da Assembleia Geral condena "o alvejamento de civis". Além disso, propõe um prazo final de três meses para que Israel e o Hamas deem passos para investigações independentes dos crimes de guerra. A exigência manteria o relatório vivo, mas a resolução tem pouca chance de passar ao Conselho de Segurança para alguma ação.
Os Estados Unidos têm uma história de vetar qualquer medida crítica à Israel. Mas outros membros permanentes também rejeitam as ideias do relatório de Goldstone abrir um precedente, afirmam os diplomatas, com a China pensando no seu controle sobre o Tibete e a Rússia em suas ações na Chechênia e em outros lugares.
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