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Itália condena 23 americanos pelo sequestro de clérigo muçulmano

05/11 - 09:13 - The New York Times

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MILÃO - Em uma decisão marcante, um juiz italiano condenou na quarta-feira o chefe de uma base da Agência Central de Inteligência (CIA, na sigla em inglês) e 22 outros americanos, quase todos funcionários da agência, pelo sequestro de um clérigo muçulmano em Milão em 2003.

O caso foi visto como uma enorme vitória simbólica para os procuradores italianos, que conseguiram as primeiras condenações envolvendo a prática americana de sequestro de suspeitos de terrorismo que eram secretamente levados para outro país para interrogatórios que envolviam técnicas coercitivas.

Os críticos da gestão Bush aclamaram a decisão como um sinal de repúdio das táticas usadas para combater o terrorismo.

E o fato da Itália condenar agentes de inteligência de um país aliado foi visto como uma medida corajosa que pode abrir um precedente para outros casos.

Ainda assim, as condenações podem ter pouco efeito prático. Elas não parecem mudar as relações íntimas entre os Estados Unidos e a Itália. Tampouco revelam se o governo do premiê Silvio Berlusconi aprovou os sequestros.

E parece altamente improvável que qualquer um, italiano ou americano, irá para a prisão.

O juiz Oscar Magi sentenciou Robert Seldon Lady, ex-chefe da base da CIA em Milão, a oito anos de prisão, e os outros 22 americanos a cinco anos, incluindo o coronel da Força Aérea e 21 agentes da CIA.

Três dos outros americanos de alto escalão receberam imunidade diplomática, incluindo Jeffrey Castelli, ex-chefe de operações da CIA em Roma.

Citando segredo de Estado, o juiz não condenou cinco italianos de alto escalão envolvidos no sequestro, incluindo o ex-líder da inteligência do exército italiano, Nicolo Pollari.

Todos os americanos foram julgados em ausência e são considerados fugitivos. Através de advogados escolhidos pelo tribunal, eles se declararam inocentes.

Promotores italianos haviam acusado os americanos e sete membros da agência de inteligência militar italiana por seu envolvimento no sequestro de Osama Moustafa Hassan Nasr, conhecido como Abu Omar, no dia 17 de fevereiro de 2003.

Os promotores disseram que ele foi arrebatado em pleno dia e depois levado de uma base aérea americana na Itália para uma base na Alemanha e então para Egito, onde diz ter sido torturado.

Ian C. Kelly, porta-voz do Departamento de Estado, disse que os Estados Unidos ficaram desapontados com o veredicto em Milão. Ele disse ainda que uma vez que os americanos irão apelar da decisão, ele não pode fazer comentários sobre o caso.

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