03/11 - 08:37 - The New York Times
Nós lamentamos a decisão do líder da oposição do Afeganistão, Abdullah Abdullah, de se retirar do segundo turno das eleições presidenciais esta semana. Depois que partidários do presidente Hamid Karzai tentaram roubar votos no primeiro turno, Abdullah tem fortes motivos para não confiar no processo. Mas os eleitores afegãos mereciam outra chance. E o governo do Afeganistão - sob ataques do Taleban e em meio a sua própria corrupção e incompetência - precisava da legitimidade de votos verdadeiros.
Agora que Karzai foi declarado reeleito, ele terá que fazer tudo a seu alcance para persuadir seu povo - e o resto do mundo - para que merça sua confiança. Depois dos últimos sete anos de uma administração incompetente e corrupta, isso não será fácil.
A gestão Obama, que teve que pressionar Karzai para que ele concordasse com um segundo turno, terá que pressioná-lo ainda mais para que ele estabeleça um governo viável. A qualificação do presidente Obama do processo eleitoral afegão como "bagunçado" foi, para dizer pouco, uma atenuação da verdade. Esperamos que ele e seus assistentes falem de maneira mais dura em particular.
Para começar, Karzai precisa designar um novo grupo de ministros e os governadores provincianos comprometidos em reconstruir seu país, e não a enriquecer a si mesmos. (Esperamos que os rumores de que ele planeja despedir Gulab Manga, o competente governador da Província de Helmand, sejam falsos.) O Ministério do Interior, que coordena a corrupta polícia nacional afegã, deve ser reformado. As agências de agricultura, energia e desenvolvimento privado precisam de lideranças melhores.
O povo afegão precisa ver seu governo trabalhando para proteger e melhorar sua vida se devem arriscá-las e resistir ao Taleban.
Karzai também precisa negociar com membros da oposição, escolhendo tecnocratas competentes para posições sênior. Abdullah decidiu não se unir a um governo de coalizão. Mas o governo seria mais forte se alguns de seus partidários decidissem participar. Esperamos que Abdullah esteja comprometido a desempenhar um papel ativo e construtivo nas políticas afegãs.
Karzai precisa (urgentemente) romper seus elos com alguns de seus camaradas mais duvidosos. Durante a campanha, ele se aliou ao general Abdul Rashid Dostum, um líder militar notório cujas forças foram acusadas de matar milhares de prisioneiros de guerra do Taleban em 2001. Em nome da justiça, o general Dostum deve ser julgado por seus crimes.
E Karzai precisa, finalmente, romper seus elos com Ahmed Wali Karzai, seu irmão que, segundo autoridades americanas, é um grande participante do comércio de ópio no país. Washington também tem que cortar seus elos com Ahmed Karzai, um membro do conselho provinciano de Kandahar e a figura mais poderosa em uma área na qual a insurreição Taleban é mais forte. O Times reportou na semana passada que ele recebeu pagamentos contínuos da CIA nos últimos oito anos. Isso tem que parar.
Colocar em prática um governo confiável é essencial, mas apenas o primeiro passo. A lista de problemas de política que foram ignorados ou mal administrados é deprimentemente longa. O presidente Karzai precisa trabalhar com os americanos para criar uma estratégia para tentar atrair os líderes Talebans. Os dois governos precisam desenvolver rapidamente um plano para acelerar o treinamento das forças de segurança afegãs.
Karzai e a gestão Obama não têm muito tempo para conseguir estabelecer isso direito. A força militar do Taleban cresce diariamente. O apetite dos americanos por essa guerra evapora na mesma velocidade.
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