iG - Internet Group

iBest

brTurbo

 

publicidade

ULTIMO SEGUNDO

 

iG BUSCA

enhanced by


Home > Notícia
  • Tamanho do texto
  • A
  • A

Com o aumento da população, especialistas se preocupam com a fome mundial

22/10 - 18:39 - The New York Times

Logo NYT

ROMA – Cientistas e especialistas em desenvolvimento em todo o mundo estão buscando uma forma de aumentar a produção de alimentos em 50% nas próximas duas décadas, para alimentar a população crescente do planeta. Apesar do consenso amplo de que há terra, água e conhecimento suficiente, muitos duvidam das chances de sucesso.

O número de pessoas famintas no mundo cresceu para 1,02 bilhão neste ano, ou seja, aproximadamente uma em cada sete pessoas, de acordo com a Organização para Agricultura e Alimentação da ONU (FAO), apesar dos 12 anos de esforços concentrados em reduzir essa quantidade.

A recessão financeira mundial adicionou a esse número ao menos 100 milhões de pessoas ao privá-los de seus meios para comprar comida suficiente, mas a quantidade já vinha aumentando mesmo antes da crise, apontou a ONU em um relatório na semana passada.

“A forma como administramos o sistema de segurança de alimentos e agricultura global não funciona”, disse Kostas G. Stamoulis, economista sênior da FAO. “Há esse paradoxo no crescimento da produção de alimentos global, mesmo em países em desenvolvimento, paralelamente à fome”.

Os agrônomos e especialistas em desenvolvimento se reuniram em Roma na semana passada e, no geral, concordaram que as fontes e conhecimentos técnicos são capazes de aumentar a produção de comida em 50% até 2030, e em 70% até 2050 – quantidades que seriam necessárias para alimentar a população prevista para ter um crescimento de até 9,1 bilhões de pessoas em 40 anos.

Mas o enigma é se a produção pode ser elevada no mundo em desenvolvimento, onde as pessoas que passam fome realmente consigam ter acesso a ela, a preços que possam bancar. A pobreza e as difíceis condições de plantio afligem os países que mais precisam da nova produção, especificamente na África subsaariana e no sul da Ásia.

Uma pequena enquete feita por especialistas em Roma, sobre se o mundo será capaz de alimentar sua população em 40 anos, ressaltou a incerteza que ronda a questão: 73 responderam sim; 49, não; e 15 se abstiveram.

O histórico de fracassos em alimentar os famintos assombra essa luta. Mas outras incertezas importantes também são obstáculos. O efeito que as mudanças climáticas têm no clima e nas plantações permanece uma questão em aberto. A revolução então chamada verde dos anos 1960 e 1970 acabou com o espectro das massas famintas da época, mas o custo dos fertilizantes químicos e da irrigação pesada para o meio ambiente estimulou uma divisão amarga na opinião sobre os ingredientes certos para uma segunda tentativa.

Além disso, a demanda por biocombustíveis acabará utilizando terras de cultivo. E, como mostraram as dezenas de problemas de alimentação em 2008, o preço do petróleo e outros abalos na receita podem rapidamente levar mais milhões de pessoas à situação de fome, levando a ondas de instabilidade em todo o mundo.

Espera-se que no encontro de líderes mundiais em Roma, no dia 16 de novembro, discuta-se o futuro das demandas de alimento. Desde julho, os países mais ricos vêm se comprometendo ostensivamente com mais de US$ 22 bilhões aplicados aos esforços nos próximos três anos.

A agricultura já foi o pilar de programas de assistência internacional. Os números do Banco Mundial mostram que ela constituía 17% de toda a assistência estrangeira em 1980, disse Christopher Delgado, consultor de agricultura do banco. Mas a ênfase decaiu quando o número de pessoas famintas caiu para seu menor nível recente, 825 milhões de pessoas, por volta de 1996. Em 2000, a assistência da agricultura havia encolhido para 4%, embora ela tenha dado alguns pequenos saltos, desde esse período.

Os líderes mundiais frequentemente exigem uma revolução verde como a dos anos 1960 e 70, como uma inspiração para o progresso no futuro. A revolução original empregou novas sementes, fertilizantes e irrigação na Ásia e na América Latina para acabar com a fome que assolava milhões.

Mas a concentração da revolução verde no trigo e no arroz seria impossível de se copiar em partes da Ásia e da África, de acordo com especialistas, que apontam que os africanos tem sete ou oito tipos de cultivo de alimentos, condições descontroladamente variáveis de plantação e uma estimativa de apenas 7% de terras irrigadas.

Por NEIL MacFARQUHAR


Leia mais sobre fome mundial





US Multimídia


Publicidade


Matérias Relacionadas

Brasil é líder no combate à fome entre emergentes, diz ONG

Mais de um bilhão de pessoas passam fome no mundo, diz ONU

Fome afeta mais de um bilhão de pessoas no mundo


Enquete


 

Contador de notícias