01/10 - 19:38 - The New York Times
JOHANNESBURGO – O número de pessoas sendo testadas para HIV mais do que dobrou em dúzias de países no ano passado, melhorando a detecção da Aids e contribuindo para um aumento no número de pessoas sendo tratadas.
A quantidade de pessoas sob o tratamento de drogas antiretrovirais nos países subdesenvolvidos aumentou cerca de um milhão ultrapassando os quatro milhões de pessoas mundialmente, divulgou a ONU na quarta-feira em seu relatório de acompanhamento de Aids e HIV de 2009.
O vasto esforço internacional no combate à Aids, financiado pelos EUA, países europeus e outros doadores, também garantiu que o número crescente de crianças com Aids, deixadas à mercê de mortes rápidas e inesperadas nos últimos anos, também fosse beneficiado por terapias com drogas capazes de salvar vidas. O número de crianças foi de 198 mil em 2007 para 275.700 em 2008.
E a porção de mães que conseguiram remédios para evitar que infectassem seus bebês com HIV também aumentou de forma evidente, nas partes da África mais atingidas pela doença, para mais da metade das mulheres com essa necessidade.
“No espaço de um ano, estamos vendo um grande salto nos serviços de Aids”, disse Mark Stirling, diretor regional das medidas dos EUA contra a Aids no leste e no sudeste da África. “Isso não tem precedentes. No que diz respeito à intensificação e aceleração do alcance, 2008 foi um ano extraordinário”.
Mas no relatório de acompanhamento da Aids da ONU também continha notícias moderadas. Enquanto mais de um milhão de pessoas recebem drogas no ano passado – as quais eles precisarão pelo resto da vida – 2,7 milhões foi infectado com HIV em 2007, último período com registro de estimativas.
“Estamos andando na contra mão de uma escada rolante”, disse o prof. Salim S. Abdool Karim, que dirige o Centro do Programa de Pesquisa de Aids na África do Sul, com base em Durban. “Não vamos festejar nossa vitória sobre esse problema”.
O relatório da ONU destaca que, no último ano, os países africanos lançaram bases de trabalho para fornecer, amplamente, cirurgias de circuncisão para homens, procedimento cirúrgico que reduz mais da metade do risco de infecção por HIV.
Mas autoridades, especialistas e defensores da saúde disseram que líderes políticos, particularmente na África, deveriam ser muito mais diretos sobre as práticas de que ter mais de um parceiro sexual de longo prazo alimenta a epidemia – e sobre o fato de a circuncisão reduzir o risco de infecção.
“Estou preocupado”, disse Stirling. “Eu não ouço a maioria dos líderes políticos seniores falando sobre parceiros sexuais simultâneos ou circuncisão masculina, não o suficiente.”
A África do Sul, que tem mais cidadãos com HIV positivo do que qualquer outra nação, é um exemplo tanto do progresso no tratamento quanto a incerteza dos prospectos para a prevenção, segundo especialistas.
O número de pessoas sob o tratamento de drogas antiretrovirais no último ano cresceu mais da metade, mais rápido do que em qualquer outro país. Agora, a África do Sul tem de longe o maior programa de tratamento de Aids do mundo. A ONU estimou que mais de 700 mil sul-africanos receberam remédios, apesar de defensores do país dizerem que o número é na verdade mais próximo de 600 mil ao se descontar os que morreram ou abandonaram o tratamento.
Contudo, mesmo com os ganhos, menos de metade daqueles que precisam das drogas as estão recebendo, dizem defensores. E na África do Sul falta uma medida sobre a circuncisão masculina. O país ainda está superando a contrariedade dos anos em que seu presidente, Thabo Mbeki, negou o consenso científico de que HIV causa Aids e que as drogas antiretrovirais fossem essenciais para o tratamento da doença.
Os novos líderes do país acabaram com essas visões, mas ainda precisam agir com mais urgência na prevenção do HIV, disse Mark Heywood, diretor-executivo do Aids Law Project e vice-presidente do South African National Aids Council, que aconselha o governo.
“A África do Sul conseguirá uma ação conjunta, mas ainda não a tem nesse momento”, disse.
Por CELIA W. DUGGER
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