12/01/2009 - 09:09 - The New York Times
CAIRO - Com cada imagem dos mortos em Gaza inflamando os habitantes de todo o mundo árabe, oficiais do Egito e da Jordânia temem ver o fim de um dos princípios fundamentais do processo de paz no Oriente Médio: a chamada solução bi-estatal, um Estado Palestino independente que coexistiria com Israel.
Egito e Jordânia temem que serão pressionados a absorver as populações palestinas que vivem além de suas fronteiras. Se Israel não assumir responsabilidade pela ajuda humanitária em Gaza, por exemplo, a pressão pode forçar o Egito a tomar conta disso. A Jordânia, por sua vez, teme que Israel tentará empurrar os palestinos da Cisjordânia para o seu território.
Em ambos os casos, os Estados temem que serão responsáveis por policiar os conflitos entre palestinos e israelenses, prejudicando seus tratados de paz com Israel.
No Egito, onde líderes foram castigados por se recusarem a manter aberta a passagem de Rafah a Gaza, os oficiais argumentam que são limitados pelos acordos de segurança de fronteira que sucederam a retirada de Israel de Gaza. Mas há uma mensagem por trás do que dizem: que Gaza não é um problema do Egito.
"Gaza não é mais responsabilidade do Egito e o país está determinado a não assumir a região novamente", disse Abdel Raoud El-Reedy, ex-embaixador do país nos Estados Unidos que hoje é presidente do Conselho Egípcio de Assuntos Externos.
Controle de Gaza
O Egito controlou Gaza, uma faixa costeira de 362.598 km², até a guerra de 1967 contra Israel. Agora o Egito está tentando negociar um cessar-fogo na região. Representantes do Hamas estiveram no Cairo no domingo e representantes de Israel devem comparecer nesta segunda-feira, disseram os oficiais locais.
O Hamas quer a fronteira aberta, mas os egípcios a recusam, com exceção da passagem de ajuda humanitária para a retirada de feridos e entrada de medicamentos. Israel quer uma força internacional do lado egípcio da fronteira, para evitar o contrabando através de túneis ilegais, mas o Egito a recusa, dizendo que isso prejudicaria sua soberania.
Em uma coletiva de imprensa no Cairo no domingo, oficiais questionaram a atenção dada a fronteira com o Egito, quando há seis fronteiras com Israel.
Os jordanianos também estão apreensivos. "A preocupação é real para a Jordânia", disse Adnan Abu Odeh, conselheiro do rei Hussein. Ainda que a perspectiva de ter que absorver a Cisjordânia seja remota, a Jordânia não quer ter que fazer isso.
"Este tipo de fórmula significaria a perda de terras para os palestinos e de identidade para a Jordânia", disse Odeh.
Por MICHAEL SLACKMAN
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