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Editorial: Colégio Eleitoral se mostra desnecessário para o sistema americano

21/11 - 09:39 - The New York Times

No dia 15 de dezembro, os Estados Unidos irão passar por um ritual nascido na era econômica e política da escravidão e da caneta de pena. Membros do Colégio Eleitoral irão se encontrar em cada um dos 50 Estados e do Distrito de Colúmbia para escolher formalmente o próximo presidente.

 

Não há dúvida sobre como os eleitorados irão votar, mas é preocupador que eles tenham qualquer papel na tomada desta decisão vital no século 21. O Colégio Eleitoral é mais do que uma instituição antiquada: ele tira o poder dos eleitores e ocasionalmente (como em 2000) faz do candidato com menos votos populares o presidente. A democracia americana seria muito melhor sem isso.

Não há motivo para nos sentirmos sentimentais em relação ao Colégio Eleitoral. Uma das principais razões pelas quais os fundadores o criaram foi a escravidão. Os Estados do sul gostavam do fato de que seus escravos, que não poderiam votar, seriam contabilizados (como três quintos de uma pessoa branca) quando os votos do Colégio Eleitoral fossem apurados.

Os fundadores também temiam que, nos tempos da prensa de madeira, os eleitores não tivessem informações suficientes sobre os candidatos presidenciais. Acreditava-se que seria mais fácil para eles votar nos representantes locais, que conheciam, para opinarem em seu nome. Mas seria difícil imaginar um número significativo de eleitores que não sabiam o suficiente sobre Barack Obama e John McCain no dia da eleição deste ano.

Por outro lado, ainda que os motivos do Colégio Eleitoral tenham perdido sua relevância, suas desvantagens aumentaram. Para começar, o sistema exclui muitos eleitores de um papel significativo na eleição presidencial. Se você vive em Nova York ou Texas, por exemplo, geralmente a conclusão sobre o partido que conquistará os votos de seu colégio são previsíveis, logo o seu voto não faz tanto sentido (e pode parecer ainda pior caso você opte pelo outro lado). Já se você vive na Flórida ou Ohio, onde o resultado não é tão claro, seu voto tem enorme importância.

Eleitores de Estados menores são favorecidos porque os votos do Colégio Eleitoral se baseiam no número de senadores e representantes.
Os cerca de 500 mil moradores de Wyoming têm três votos. A Califórnia, que tem população cerca de 70 vezes maior que a do Wyoming, têm apenas 55 votos.

O Colégio Eleitoral também faz com que a América pareça mais dividida ao longo de linhas vermelhas e azuis do que realmente é. Se você observar um mapa do Colégio Eleitoral, a Califórnia é solidamente azul e o Alabama vermelho. Mas se olhar o  mapa dos votos populares, verá uma nuance muito maior. Mais de 4,5 milhões de californianos votaram em McCain (quase o mesmo número de votos que o candidato conseguiu no Texas), enquanto cerca de 40% os eleitores do Alabama optaram por Obama.

Um dos maiores problemas com o Colégio Eleitoral, claro, é que três vezes desde a Guerra Civil (mais recentemente com George W. Bush em
2000) ele concedeu a presidência ao candidato com menos votos populares. O presidente deve ser o candidato com os votos da maioria dos americanos.

A melhor forma de abolir o Colégio Eleitoral é corrigir a Constituição. Até que isso aconteça, um movimento pelo voto popular trabalha para que os Estados representando a maioria dos votos concordem em votar no candidato que tem mais votos nacionalmente. Isso efetivamente acabaria com o Colégio Eleitoral. Diversos Estados, como Nova Jersey e Illinois, já aprovaram leis em nome do voto popular, e outros passaram a considerar medidas semelhantes.

Quando a eleição presidencial de 2012 se aproximar, as tentativas de reforma do sistema eleitoral serão vistas de forma partidária, com foco em qual partido se beneficiaria com a mudança. Com a próxima eleição ainda distante, agora é o momento certo para pensarmos seriamente em abolir o Colégio Eleitoral.

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