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Como ressucitar a indústria automobilística

21/11 - 10:25 - The New York Times

Por THOMAS L. FRIEDMAN

Em setembro, eu estava em um quarto de hotel vendo televisão de manhã cedo. Estavam entrevistando Bob Nardelli, CEO da Chrysler, e ele explicava por que a indústria automobilística, naquele momento, precisava de US$ 25 milhões em garantias de empréstimo. Não era um plano de salvação, ele disse. Era uma forma de permitir que as empresas automobilísticas se equipassem para a inovação. Não consegui me conter e gritei para a TV: "Nós é que temos que subsidiar Detroit para que ela possa inovar? Vocês não estão em um negócio que pressupõe inovação?" Se nós dermos mais US$ 25 milhões, vocês também fazem contabilidade?

Como é que essas empresas podem ser tão ruins por tanto tempo? Está bem claro que a combinação de uma cultura empresarial bastante não-inovadora, uma gerência sem visão e contratos de trabalho mais que generosos explicam em grande parte. Tudo isso levou a uma situação onde a General Motors poderia fazer dinheiro somente vendendo caminhões e utilitários grandes que consomem bastante gasolina.

Portanto, em vez de focar em ganhar dinheiro inovando em relação à eficiência no consumo de combustível, produtividade e design, a GM joga fora muita energia com lobby e em manobras para proteger seus bebedores de gasolina.

Isso incluiu o estabelecimento de negociações especiais com o congresso que permitiu que os fabricantes de automóveis de Detroit contassem a quilometragem dos bebedores de gasolina como sendo menos do que a realidade – desde que fizessem alguns carros flex que funcionassem com etanol. E isso incluiu infinitos lobbys para impedir o congresso de aumentar os requerimentos de eficiência de consumo de combustível. O resultado foi uma indústria morta-viva.

Nada exemplifica melhor isso do que afirmações como a de Bob Lutz, vice-presidente da GM. Dizem que ele afirmou que os híbridos como o Toyota Prius "não fazem nenhum sentido econômico". E, em fevereiro, a D Magazine de Dallas citou Lutz dizendo que o aquecimento global "é uma coisa sem sentido".

Esses são caras que estão pedindo ajuda a nós, pagadores de impostos.

E, por favor, poupe-me de historinhas sobre os custos de assistência de saúde da GM. Claro, eles são escandalosos. "Mas então por que a GM se recusou a levantar um dedo sequer para apoiar o programa nacional de assistência à saúde quando Hillary Clinton pediu?", pergunta Dan Becker, importante lobista ambiental.

Nem todos os fabricantes de automóveis estão à beira do abismo. Veja esse artigo que apareceu recentemente no autochannel.com: "ALLISTON, Ontário, Canadá – A Honda of Canada Mfg. oficialmente abriu seu novo investimento no Canadá – uma fábrica de motores de tecnologia de ponta no valor de US$ 154 milhões. A nova instalação irá produzir por ano 200 mil motores de quatro cilindradas, eficiente no consumo de combustível, para a produção Civic em resposta à crescente demanda norte-americana por veículos que ofereçam excelente economia de combustível."

A culpa do ridículo não pertence somente aos executivos da indústria automobilística, mas deve ser dividida igualmente com a delegação do Michigan inteira na Casa Branca e no Senado – praticamente todos eles, ano após ano, votaram em tudo que os fabricantes de automóveis de Detroit e os sindicatos os instruíram a votar. Isso protegeu a General Motors, a Ford e a Chrysler de preocupações ambientais, preocupações com quilometragem e o impacto completo da competição global que poderia ter forçado Detroit a se adaptar há muito tempo.

Realmente, quando Detroit tiver que ser enterrada, espero que todos os representantes e senadores atuais e passados de Michigan tenham que carregar o caixão.

OK, agora que desabafei, o que fazemos? Estou tão amedrontado quanto vocês em relação ao efeito dominó na indústria e nos trabalhadores se a GM entrar em colapso. Mas se vamos usar o dinheiro dos cidadãos que pagam impostos para salvar Detroit, então isso deveria ser feito na linha proposta pelo Wall Street Journal por Paul Ingrassia.

"Em resposta a qualquer ajuda governamental direta", ele escreveu, "a diretoria e a gerência da GM deveria ir embora. Os acionistas deveriam perder suas ações finais sem valor. E um receptor indicado pelo governo – alguém apolítico – deveria ter amplos poderes para renovar a GM com um plano de negócios viável e retorná-la a uma operação privada o mais rápido possível. Isso significará rescindir contratos existentes com sindicatos, concessionárias e fornecedores, fechar algumas operações e vender outras, além de enxugar a empresa... Dar um cheque em branco à GM – que é o que a empresa e o sindicato United Auto Workers querem desesperadamente, e Washington estará tentado a dar – seria um equívoco enorme".

Eu acrescentaria outras condições. Qualquer empresa automobilística que recebe dinheiro de impostos deve demonstrar um plano para transformar cada veículo de sua frota em um motor híbrido-elétrico com capacidade flex, para que toda a frota possa funcionar com o etanol de celulose da próxima geração.

Finalmente, alguém deve chamar Steve Jobs, que não precisa ser subornado para inovar, e perguntar se ele gostaria de servir à nação e administrar uma empresa automobilística por um ano. Aposto que não levaria muito tempo para que ele aparecesse com o iCar da GM.

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