14/11 - 11:16 - The New York Times
CHICAGO - Há algumas semanas, Barack Obama foi ao barbeiro Hyde Park Hair Salon para um corte. Ele cumprimentou os funcionários e clientes e sentou na mesma cadeira dos últimos 14 anos.
Mas desta vez, o Serviço Secreto viu uma multidão se reunir diante da janela de vidro do estabelecimento numa tentativa de ver o presidente eleito e o plano foi modificado. Se Obama não pode mais ir ao barbeiro, então o barbeiro virá até Obama.
A vida do novo presidente americano e sua família mudou para sempre.
Mesmo as restrições e a segurança da campanha não se comparam com a bolha que o envolveu nestes 10 dias subsequentes a sua eleição.
Renegade, como ele chamado pelo Serviço Secreto, agora vive no restrito limite que acompanha com o cargo mais poderoso do planeta.
|
|
"Esta também é uma enorme transição pessoal, muito além do que as pessoas imaginam", disse Alexi Giannoulias, tesoureiro do Estado de Illinois e amigo pessoal . "Pequenas coisas, como ir à academia ou ao cinema, levar sua mulher para jantar, nada disso será igual. Coisas que nós não valorizamos".
Obama está adiando a mudança tanto quanto pode ao permanecer em Chicago durante a transição. "Eu não irei passar muito tempo em Washington nas próximas semanas", ele disse numa conversa telefônica escutada pelos repórteres em seu avião a caminho de Chicago depois da visita que fez à Casa Branca na segunda-feira. Realmente, ele passou menos de quatro horas em Washington para seu encontro com o presidente Bush.
Férias
| AP |
![]() |
| Obama e Bush conversam sobre |
As considerações pessoais coincidem com cálculos políticos também. Ao permanecer em Chicago, pode ser mais fácil para ele evitar a intromissão em decisões da gestão atual e acentuar a sensação de mudança quando ele chegar à capital. Ele não estará por lá, por exemplo, durante a cúpula econômica que começa nesta sexta-feira.
Mas as armadilhas de sua vida são cada vez mais presidenciais. Apesar de ainda não ter acesso ao Força Aérea Um, ele viaja em uma limousine governamental blindada, com outros veículos segurando o trânsito para que seu carro não pare no farol vermelho. Apesar do Serviço Secreto ter colocado barreiras de concreto diante de seu prédio há muito tempo, o perímetro de segurança foi aumentado depois da eleição e um cão farejador de explosivos foi colocado no local.
"Tudo mudou", disse Mesha Caudle, 45, que vive no quarteirão da família Obama. "É um pouco inconveniente, um pouquinho, quando tenho que dar a volta em três quarteirões para andar um. Mas eu não ligo, tenho o presidente que escolhi e se isso significa que preciso passar por alguma inconveniência tudo bem."
A casa da família Obama, comprada por US$1,65 milhões em 2005, é uma mansão no meio do bairro economicamente e racialmente diverso de Hyde Park-Kenwood perto da Universidade de Chicago, protegida por árvores, sem falar da falange de agentes do Serviço Secreto e policiais da cidade. O bairro tem uma mistura de casas grandiosas, estruturas antigas e prédios dilapidados. Do outro lado da rua, apartamentos renovados custam a partir de US$190 mil. Poucos quarteirões adiante, algumas casas tem as janelas protegidas com tabuas de madeira. Obama irá manter sua casa em Chicago.
Por PETER BAKER
Leia mais sobre Obama
Publicidade
Para Obama, um relato sobre a prática esportiva entre os chefes de Estado
Perspectiva de cargo para Hillary coloca Bill Clinton sob holofotes