01/10 - 08:03 - The New York Times

MOSCOU - A União Europeia se preparou na terça-feira para alocar 200 monitores civis em toda a Geórgia, apesar das autoridades militares russas terem dito que não permitirão o trabalho nas zonas de impacto que cercam os enclaves da Abkházia e Ossétia do Sul.
Os monitores europeus devem substituir unidades das tropas de paz russas que detêm o controle dessas zonas de impacto. O acordo de cessar-fogo exigiu que os russos retirassem completamente suas tropas da Ossétia do Sul e Abkházia até o dia 10 de outubro.
"Agora esperamos que todas as partes cumpram suas obrigações tanto quanto a UE o fez", disse Javier Solana, chefe de política externa da União Europeia, que inaugurou a missão numa cerimônia em Tbilisi, capital da Geórgia.
Mas as autoridades georgianas expressaram frustração de que os monitores europeus não tenham acesso imediato à zona de impacto, como esperado, ou mesmo aos enclaves. "Sentimos que temos um vizinho que não respeita completamente as leis internacionais, a soberania de seus vizinhos e seus próprios compromissos", disse David Bakradze, ministro de integração Europa e Euro-Atlântica.
Mikheil Saakashvili, presidente da Geórgia, disse numa coletiva de imprensa que ele está "cautelosamente otimista" sobre a missão de monitoramento, apesar de continuar a pressionar por uma retirada russa completa.
"Não podemos nos iludir com isso", ele disse. "Não ficaremos felizes até que o último soldado deixe meu país."
O conflito na Geórgia teve início no dia 8 de agosto, horas depois que Saakashvili ordenou um ataque à capital da região separatista da Ossétia do Sul, que tem fortes elos com a Rússia. A Rússia enviou tropas à Ossétia do Sul e Abkházia, além do próprio território da Geórgia.
Moscou reconheceu formalmente os dois enclaves como nações soberanas no dia 26 de agosto e posicionou tropas na região de impacto em torno das fronteiras. Depois de tensas negociações com o presidente Nicolas Sarkozy da França, a Rússia concordou em permitir a presença de monitores europeus no dia 1º de outubro e em retirar suas tropas da região até meados do mês.
Por ELLEN BARRY
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