01/10 - 09:51 - The New York Times

Uma novata no cenário nacional, Palin deu poucos indícios de estar comprometida com os assuntos nacionais e internacionais atuais.
Mas uma revisão dos diversos debates que ela compareceu durante a disputa para o governo do Alasca em 2006 mostra uma pessoa diferente daquela que surgiu desde que o senador McCain indicou Palin como a candidata republicana à vice-presidência há um mês.
Palin, ex-prefeita que ficou famosa por combater condutas éticas duvidosas enquanto governadora, manteve a calma nos debates. (Foram realizados quase duas dezenas de debates nas eleições gerais do Estado; ela faltou a alguns e nem todos foram gravados.)
Ela adotou uma postura populista contra companhias de petróleo e projetou um rosto novo e realista quando os eleitores buscavam mudança. Isso fez com que ela vencesse de forma arrasadora Frank H. Murkowski, ex-governador republicano impopular, durante as primárias e o governador Tony Knowles nas eleições gerais do Estado.
Seu estilo de debate era raramente de confronto e ela parecia confiante. Em contraste com a situação atual - quando ela parece ter desconhecimento em diversos assuntos importantes - ela demonstrava fluência em certos assuntos, particularmente sobre petróleo e gás.
Mas, como ela faz agora, Palin sempre fala em generalidades e mostra limitada aptidão para desenvolver argumentos. Suas frases eram marcadas pela repetição de palavras, pelo uso da frase “aqui no Alasca” e por intervalos.
John Bitney, diretor político da campanha de Palin pelo governo do Alasca e a pessoa que mais ajudou Palin a se preparar para os debates, disse que repetir as palavras era “o jeito dela de fazer com que o tempo passe enquanto sua mente procura aonde ela queria chegar.”
Essas tendências podem confundir suas mensagens e levá-la a um beco sem saída linguístico. Ela geralmente não usa completamente o tempo que lhe é dado e termina suas respostas de forma repentina.
Quando foi questionada sobre as coisas básicas necessárias para governar, Palin tentou evitar coisas específicas e voltou a falar sobre suas maiores qualidades: uma filosofia conservadora e um espírito prático.
“Minhas atitudes e minhas tentativas de lidar com as complexidades dos assuntos de saúde”, disse ela no debate em outubro de 2006, “é um esforço respeitável, responsável e positivo. Eu não acredito que o céu esteja caindo aqui no Alasca.”

Postura de Palin pode prejudicá-la no debate de quinta-feira / NYT
Esses padrões podem ajudar a responder por que a campanha de McCain não negociou tanto o espaço para discussão no debate entre os candidatos à vice-presidência na quinta-feira entre Palin e Joe Biden que no debate entre os presidenciáveis na última semana.
Palin não se saiu bem em todas as vezes que foi questionada durante a disputa pelo Estado do Alasca.
No debate de outubro de 2006, Knowles e Andrew Halcro, independentes, trabalharam juntos para pressioná-la sobre como ela pagaria pelo sistema de saúde.
Em resposta a Knowles, ela mencionou “certificados de necessidade” e disse que eles estavam sendo inflexíveis, “criando um ambiente onde muitos cidadãos de áreas carentes estavam precisando de cuidados médicos, principalmente em alguns dos nossos maiores mercados.” Ela adicionou, “o Estado do Alasca precisa olhar especificamente para essa inflexibilidade que existe hoje para que atenda áreas carentes que estão no Alasca.”
Ela completou: “Eu não posso te dizer quanto isso diminuiria monetariamente nossos custos com a saúde, mas a competição torna todo mundo melhor, nos faz trabalhar mais duro, nos permite reduzir custos, então defendo que essa medida seja prioridade.”
Knowles ficou confuso e disse que não havia entendido a resposta dela porque ela havia perdido o foco. Halcro perguntou como ela pagaria por programas de saúde de urgência.
“Bem, o ponto aí, Andrew”, disse “é que são urgentes, e novamente digo que é uma questão de priorizar e é uma questão do governo entender que seu papel na segurança pública é o sistema de saúde, então é uma questão de prioridades.”
Halcro chamou a resposta de “tagarelice política.”
Mas em outras situações ela deu respostas diretas que atingiram diretamente a platéia. Os candidatos foram perguntados no debate do dia 17 de agosto de 2006 por um morador do campo se eles implantariam novamente o bônus de longevidade para cidadãos idosos, um pagamento que intencionava impedir que esses cidadãos deixassem o Estado.
“Não”, disse Murkowski irritado. John Binkley, um terceiro candidato, disse sim.
Palin respondeu com emoção. “Sim, nossos idosos preciosos”, ela disse olhando para a câmera. “Para aqueles que se aposentaram prematuramente, eu sinto muito que isso tenha acontecido com vocês.”
Mas geralmente sua voz carrega pouca emoção.
“No tom, na maneira e às vezes até na linguagem, ela trata todos os assuntos da mesma maneira”, disse Michael Carey, ex-editor do The Anchorage Daily News, em um artigo sobre Palin. “Ela não dá pistas sobre quais assuntos são prioridade para ela. Sua voz é alegre, otimista, nunca estranha, mas sempre a mesma.”
Por KATHARINE Q. SEELYE
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