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Candidatos se mantêm calados sobre imigração

02/09 - 10:53 - The New York Times

Enquanto a corrida presidencial continua, o aparente esforço para corrigir o quebrado sistema de imigração parece não trazer resultado.

 

Nem o democrata Barack Obama nem o republicano John McCain levantam esforços sobre esse tema controverso.   

Ainda no perímetro da elite governante, a imigração se aproxima como uma importante preocupação que afeta diretamente milhões de trabalhadores e empregadores americanos.    

Mais de mil ativistas pró-imigração marcharam em Denver na última quinta-feira antes das ruas estarem limpas para o discurso de aceitação de Obama no estádio Invesco Field.   

A dez minutos das festividades da última semana, na zona industrial ao norte de Denver, trabalhadores americanos fumavam seus cigarros durante o intervalo em uma fábrica de plástico, onde o chefe de operações Scott Schreiber, em seu escritório, se questionava sobre como poderia manter 60 postos de trabalho em face à competição chinesa.

“Nós nunca contratamos ilegais para trabalhar aqui,” disse Schreiber. Mas com os impostos e a competição crescendo, disse, “terceirizar os serviços no México é uma opção.”

Enquanto isso, do outro lado da 56ª Avenida, Jesus Manuel, 38, trabalhador ilegal do México, correu para um depósito onde é instalador de carpete.

Depois de perder três dedos da mão direita em um acidente durante uma solda no Arizona, ele está tentando juntar dinheiro para uma cirurgia que pode reparar a mutilação.   

Trabalhar ilegalmente em Denver pode trazer U$ 3,25 por cerca de um metro de carpete instalado, algo em torno de U$ 500 por semana, cinco vezes o que ele ganharia no México, segundo o próprio Manuel. Se Obama ou McCain eliminar as opções de trabalho ilegal, “isso me afetaria muito,” declarou. “Eu preciso estar apto a trabalhar.”  

Silêncio sobre o assunto

Pesquisas mostram que os eleitores, especialmente nos Estados do Oeste que irão determinar quem será o vencedor das eleições presidenciais, consideram o tema imigração uma prioridade. 

Obama e McCain se mantêm calados, dizem analistas, porque as soluções que surgem dividem muito o eleitorado.  

Um político que se expressar a respeito de “imigração” irá “perder as pessoas que conquistou,” disse Doris Meisner, ex-diretora do Immigration and Naturalization Service e agora membro do grupo de especialistas do Migration Policy Institute em Washington.

Pressionado na semana passada em uma entrevista, a diretora de política doméstica de Obama, Heather Higginbottom, disse que a imigração não foi discutida ainda porque não é uma dos três assuntos mais importantes, mas alegou que Obama “absolutamente” planeja consertar no primeiro ano de seu mandato presidencial o que ele vê como um sistema quebrado.

Obama acredita que “é criticamente importante reavivar a reforma no sistema de imigração,” disse Higginbottom.

Um passo essencial será implantar “um programa muito rígido para que empregadores não possam empregar imigrantes sem a documentação necessária,” disse. “É um tema duro. Mas não é só porque é difícil que vamos nos esconder dele,” declarou Higginbottom.  

McCain recentemente focou na fortificação da fronteira sudoeste entre EUA e México e defendeu a construção de mais cercas e o desenvolvimento de aviões de vigilância.     

Uma vez que as fronteiras estiverem seguras, disse o porta-voz da campanha de McCain Tom Kise, McCain poderá “processar empregadores irregulares” e ativar um programa temporário para trabalhadores estrangeiros.    

Obama também é a favor de aumentar a segurança na fronteira, mas “o esforço mais importante que podemos implantar é um simples, mas obrigatório, sistema eletrônico de verificação para que os empregadores tenham certeza de que estão contratando imigrantes legais,” disse a porta-voz de Obama, Shannon Gilson.  

Quem violar as leis pode enfrentar “multas muito maiores,” disse Gilson, e trabalhadores ilegais já no país voltarão ao fim da fila para conseguir a cidadania americana.  

“Nenhum emprego deve ser ocupado por um estrangeiro antes de ser ofertado a um americano, com salários e benefícios competitivos,” disse. 

“E os estrangeiros não podem ser tão vulneráveis a abusos, ou alguns empregadores irão preferi-los ao invés dos americanos.”   

Por Bruce Finley

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