26/08 - 18:05 - The New York Times

PARIS – Mesmo enquanto incentivavam os líderes russos a rejeitarem os pedidos do Parlamento de reconhecer formalmente a Ossétia do Sul e a Abkhazia, diplomatas russos começaram a tarefa delicada de encontrar um consenso sobre a crise entre a Rússia e a Geórgia antes da reunião de emergência da União Européia (UE) no dia 1º de setembro.
Os europeus concordam que a Rússia exagerou ao ataque da Geórgia na Ossétia do Sul e que o país não obedeceu ao acordo de cessar-fogo que acabou com o conflito. Mas eles discordam sobre o que fazer a respeito, com pouca influência sobre o Kremlin, especialmente quando se trata do Cáucaso.
Oficiais europeus acreditam ter um papel diplomático importante, entretanto, porque a Rússia não considera a administração Bush, principal aliada do presidente da Geórgia, Mikheil Saakashvili, como um líder honesto.
Para apoiar Saakashvili, o presidente Bush enviará o vice-presidente Dick Cheney à Geórgia na semana que vem, a Casa Branca anunciou na segunda-feira. Cheney, considerado um forte apoiador do líder georgiano e da independência do país, também irá para o Azerbaijão e Ucrânia, que, como a Geórgia, são ex-Estados soviéticos com ligações próximas com o Ocidente.
Cheney também visitará a Itália, onde o primeiro-ministro Silvio Berlusconi – como os líderes da França, Alemanha, Bélgica e outros países europeus – pretendem manter uma boa relação com seu vizinho Moscou.
Diferenças internas
Em contraste, países da Europa Central, como a Polônia, apoiados pelos países nórdicos, como a Holanda e a Grã-Bretanha, querem uma posição de maior confronto com a Rússia, para mostrar à Moscou que a agressão tem custos. Mas o “velho continente” quer ajudar a Rússia a sair dessa posição desconfortável e não criar uma hostilidade de longo prazo com um país que tem uma forte relação energética, cultural e comercial com a Europa.
O presidente francês, Nicolas Sarkozy, anunciou o encontro da UE no domingo, depois de alertar Moscou que o mesmo só aconteceria se o acordo de cessar-fogo fosse obedecido. A reunião tem o objetivo de servir de alerta à Rússia para manter seu compromisso, disse um oficial francês que, seguindo protocolo diplomático, falou sob anonimato. Mas ainda não está claro qual será a unidade encontrada pelo bloco europeu em como persuadir a Rússia de recuar de seu conflito.
Um método pressionado pelos franceses é colocar monitores europeus e observadores nas zonas de segurança ao redor da Ossétia do Sul e Abkhazia. Isso protegeria civis e ajudaria a convencer a Rússia e a Geórgia que o conflito militar deve acabar.
Sob o acordo de cessar-fogo, todas as tropas devem retornar às suas posições antes da luta, e as “forças de paz” russas previamente posicionadas em territórios étnicos têm a permissão de patrulhar nas zonas de segurança – mas não de montar posições fixas, como os russos fizeram. Mesmo essas patrulhas terão que acabar quando os monitores internacionais chegarem aos seus devidos locais.
“A Europa deve tentar medidas para facilitar a retirada russa das zonas de segurança, que são verdadeiros pontos importantes para Moscou”, disse Charles Kupchan, membro do Conselho de Relações Internacionais e professor do assunto na Universidade Georgetown.
“A Rússia não quer se retirar de áreas no território da Geórgia que podem servir de base militar para seu Exército. Então, ao pensar em como fazer o plano de Sarkozy dar certo, qualquer coisa que a UE possa fazer para separar as forças e criar um cordão de isolamento para a diplomacia seguir em frente já será um avanço”.
Planos divididos
Mas um consenso entre os 27 países é difícil de alcançar, não apenas com declarações, mas em ações a serem tomadas.
“A UE sempre teve dificuldade em falar com uma única voz”, disse Kupchan. “O consenso nessa crise será muito difícil de alcançar. Na Europa Central, há uma noção de ‘eu avisei, a Rússia, mais uma vez, é um Estado agressor. E na parte Ocidental, há uma visão mais complicada da guerra na Geórgia e um desejo de chegar a conclusão que é hora de erguer as barricadas e conter a Rússia”.
E alguns governos europeus também estão divididos. Na Alemanha, a chanceler Angela Merkel, que lidera uma grande coalizão com a esquerda e cresceu no lado Oriental do país, apóia uma reação relativamente dura contra Moscou. Mas seu ministro das Relações Exteriores, do Partido Social Democrata, Frank-Walter Steinmeier, acredita em uma política mais confortável.
A Europa também está dividida se uma potencial integração da Geórgia e Ucrânia na Otan deveria ser acelerada ou adiada. Em abril, a França e a Alemanha se opuseram à Washington e às nações da Europa Central e se recusaram a deixar a Otan dar o Plano de Ação para Integração para ambos os países. O assunto será discutido novamente me dezembro, e as nações contrárias estarão ainda mais convencidas de que não é a hora certa.
- Steven Erlanger

Mapa da Geórgia

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