22/08 - 08:35 - The New York Times

MOSCOU - O firme controle do Kremlin sobre a mídia nos últimos anos ficou evidente durante o conflito na Geórgia pela forma como a televisão local retratou os discursos do líder do país invadido.
Sua voz foi dublada num russo agudo que buscava retratar um déspota linha dura que levou a região à crise por uma opção maníaca.
Ainda assim, apesar do sucesso do governo em controlar as notícias na Rússia, o governo pareceu pouco preparado para lidar com a repercussão internacional. Aparentemente não entendendo que a mesma figura que zombava em seus canais (o presidente Mikheil Saakashvili, da Geórgia) usava sua fluência em inglês para dominar a cobertura da mídia no resto do mundo.
E os russo não apareceram em lugar algum, pelo menos no começo.
Não é a apenas a imagem geral da Rússia que está em jogo. A Rússia e a Geórgia tentaram convencer o mundo que o outro lado é responsável pelo conflito, comete atrocidades e falha em respeitar o cessar-fogo.
Enquanto observadores internacionais terão muito a dizer em diversas dessas questões, a crise também está sendo julgada na corte da opinião pública, especialmente na Europa, que se tornou o maior árbitro entre Washington e Moscou conforme a tensão aumenta.
Apenas quatro dias depois do início do conflito (um longo período para os noticiários de 24 horas), um oficial do Kremlin foi enviado à CNN para contestar Saakashvili. Sergei B. Ivanov, confidente do primeiro-ministro Vladimir V. Putin, que fala um inglês fluente e tem ampla experiência em lidar com o Ocidente, rapidamente reconheceu que uma infeliz percepção tinha tomado conta da cena.
"Um enorme urso russo atacou a pequena e pacífica Geórgia", disse Ivanov antes de tentar desfazer o estrago. "Na verdade, a situação é e foi exatamente o oposto. A grande Geórgia atacou a pequena e sensível região da Ossétia do Sul".
A relutância do Kremlin em buscar apoio para sua postura com a mesma intensidade que enviou tanques à Geórgia mostra como o país vê o mundo. Sob Putin, o país desenvolveu uma enorme ambivalência em relação ao Ocidente, refletida no seu desconforto em ter que justificar suas ações e uma suspeita que não importa o que diga, o tabuleiro está contra eles.
Por CLIFFORD J. LEVY

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