11/08 - 13:47 - The New York Times

Em agosto de 1924, a pequena nação da Geórgia, ocupada pela Rússia Soviética desde 1921, se levantou contra as regras soviéticas. Em 16 de setembro de 1924, o jornal The Times of London reportou um apelo do presidente da República da Geórgia à Liga das Nações. Enquanto “uma referência simpática aos esforços de seu país ter sido feita” na Assembléia, disse o Times, “está claro que a Liga é incapaz de fornecer ajuda material, e a influência moral - que poderia ser uma força poderosa em países civilizados - parece ser insuficiente para causar impacto na Rússia Soviética.
“Insuficiente” foi uma expressão branda. Os georgianos não experimentaram a liberdade novamente até 1991.
Hoje, os Vladimir Putins, Hu Jintaos e Mahmoud Ahmadinejads do mundo – para não falar de seus semelhantes em locais como Sudão, Zimbábue, Burma e Coréia do Norte – são tão inclinados à “influência moral” como eram os líderes soviéticos. Ditadores não são movidos a pedidos e justiça desarmada; agressores não são intimidados por diplomacia sem a ameaça do uso da força; fanáticos não dissuadidos pela desaprovação de homens refinados e moderados.
A boa notícia é que não enfrentamos ameaças da magnitude do nazismo alemão ou da Rússia Soviética. Cada um desses regimes combinava um brutal controle interno com o desejo em se engajar em agressões externas, além da adoção de uma ideologia extremista. Hoje esses elementos não coexistem em um só lugar. A Rússia é agressiva, a China é despótica e o Irã é messiânico – mas nenhum é tão perigoso como os Estados totalitários do século 20.
A outra boa notícia é que 2008 tem sido, em um aspecto, um ano atípico para a liberdade e democracia. No Iraque, os americanos e os seus aliados iraquianos estão a beira de uma vitória estratégica contra os jihadistas no que eles chamam de centro do esforço. Essa vitória conjunta tem o potencial de enfraquecer o impulso juhadista ao redor do Oriente Médio.
Por outro lado, a habilidade da Síria, do Hezbollah e do Hamas em lidar com assassinatos (literalmente), e toda habilidade do Irã em insistir em suas ambições nucleares efetivamente não checadas, são empecilhos para a esperança de paz e progresso.
E não existem evidências de que os Jogos Olímpicos auxiliaram a China a moderar seu autoritarismo. Por enquanto, a Rússia enviou tropas e tanques para a fronteira internacional e agora parece estar aumentando a guerra contra a Geórgia mais que a original – e em todo caso, ilegítima – causa da guerra poderia justificar.
Irá os EUA colocar pressão real para que a Rússia pare? Em uma análise, a repórter do NYT, Helene Cooper, primorosamente capturou o que eu acredito ser o pensamento predominante no Departamento de Estado Americano: “Enquanto os americanos consideram a Geórgia a maior aliada no bloco dos ex-países soviéticos, Washington precisa muito da Rússia em grandes questões como o Irã e não pode arriscar tudo para defender a Geórgia.”
Mas a Geórgia, uma nação de 4.6 milhões de pessoas, tem a terceira maior presença militar – cerca de 2 mil soldados – combatendo junto com soldados e marinheiros americanos no Iraque. Por essa razão somente, os EUA devem à Geórgia um esforço sério na defesa de sua soberania. Certamente, os americanos não podem ficar indiferentes enquanto um agressor autocrático engole uma parte – ou pelo menos desestabiliza – uma nação democrática cuja candidatura para o ingresso na OTAN foi patrocinada há poucos meses pelos EUA.
Por essa questão, devemos considerar as implicações de ignorar a Geórgia em prol de outras nações pró-Ocidente na vizinhança, como a Ucrânia. Não deveríamos então insistir que relações normais com a Rússia são inviáveis enquanto durarem as agressões; reiterar firmemente o nosso compromisso com a integridade territorial da Geórgia e Ucrânia; e oferecer ajuda militar à Geórgia?
A Rússia tem mesmo ajudado muito com Irã? Ela ajudou com – enquanto adia - três resoluções do Conselho de Segurança da ONU que impõe sanções brandas ao Irã. Mas ela também forneceu material para o programa nuclear do Irã, e agora vende sistemas contra aviões iranianos para proteger instalações militares e nucleares.
É impressionante que regimes ditatoriais, agressivos e fanáticos – qualquer que seja a diferença entre eles – parecem felizes em trabalhar juntos para enfraquecer a influência dos EUA e seus aliados democráticos. Então, a Rússia ajuda o Irã. O Irã e a Coréia do Norte ajudam a Síria. Rússia e China bloqueiam as sanções do Conselho de Segurança ao Zimbábue. A China apóia os regimes de Burma e Coréia do Norte.
Os EUA, claro, não estão sem recurso e aliados para lidar com esses problemas e ameaças. Mas às vezes os Estados Unidos parecem estranhamente tímidos e incertos.
Quando o “mundo civilizado” advertiu da Rússia contra a Geórgia em 1924, o regime soviético já estava enfraquecido. Na Alemanha, Hitler estava na cadeia. Apenas 16 anos mais tarde, a Grã-Bretanha se posicionou sozinha contra o eixo nazista. Não é verdade hoje, como era nos anos 1920 e 30, que atrasos e irresoluções da parte das democracias simplesmente convidam futuras ameaças e perigos sérios?
WILLIAM KRISTOL é colunista do The New York Times
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