07/08 - 10:30 - The New York Times

RIVERSIDE, Califórnia – O sócio da Jordânia de um importante empresário da Flórida que doou mais de U$ 500 mil para o senador John McCain parece ser o centro de um grupo de doadores questionáveis que colaboram com a campanha presidencial do republicano.
Em meio a um mar de doações para a campanha de McCain, a família Abdullahs fica de fora. Os cheques não chegam do usual endereço litorâneo exclusivo, mas de endereços relativamente difíceis de rastrear e de cidades do interior como Downey e Colton.
As doações começam a chamar a atenção devido ao seu valor – muitos doadores inicialmente escreviam cheques de U$ 9.200, excedendo o limite de U$2.300 por pessoa.
O que torna a situação mais obscura é que alguns casais da família que doou mais de U$ 9 mil para McCain também deram o máximo permitido a Hillary Clinton e ao ex-prefeito de Nova York Rudolph W. Giuliani, em dezembro, totalizando mais de U$ 18 mil vindos de uma única família para doações de campanha.
Na quarta-feira, um artigo do Washington Post disse que as doações foram coletadas por Harry Sargeant III, empresário da Flórida que também doou dinheiro para Clinton e Giuliani.
No entanto, parece que Sargeant, que financiou o presidente do Partido Republicano da Flórida e detém de 50% de uma grande empresa de petróleo, a International Oil Trading Co., não pediu que a família Abdullahs e seus amigos doassem para a campanha.
Essa situação remete a um sócio mais antigo, Mustafa Abu Naba'a. Sargeant disse em entrevista que conhece Abu Naba'a por mais de uma década e que trabalhou com ele em empreendimentos comerciais, incluindo um contrato com o Pentágono para fornecer combustível para o exército no Iraque.
Por meio das conexões de Abu Naba'a, Sargeant arrecadou mais de U$ 100 mil em contribuições de muitos descendentes árabes na Calífórnia, incluindo a família Abdullahs, para quatro candidatos - Clinton, Giuliani, McCain e Charlie Crist em sua campanha de sucesso para o governo da Flórida em 2006. Crist é amigo próximo e fez parte da mesma fraternidade estudantil que Sargeant.
Alegações
Muitos dos doadores alegaram em entrevista que as contribuições partiram deles mesmos e não foram reembolsados por isso. De fato, enquanto esses doadores não se enquadram no perfil típico das pessoas que geralmente contribuem de maneira agressiva em campanhas políticas, eles aparentam ser o tipo de pessoa que obtém relativo sucesso, trabalhando em pequenos negócios em suas cidades – uma loja de consertar carros, um depósito de aparelhos de som com desconto, uma companhia de imóveis.
Brian Rogers, porta-voz de McCain, disse que a campanha segue rigidamente as leis de doação, mas se recusou a dizer se irá apurar as contribuições ligadas Sargeant.
Sargeant é ex-piloto de guerra da Marinha que tem interesses ao redor do mundo. Este ano, organizou uma festa em sua mansão em Delray Beach, Flórida, para levantar fundos para a campanha de McCain. Sargeant estima ter arrecadado mais de U$ 20 mil para Giuliani e ajudou uma associação de empresários arrecadar uma quantia semelhante para Hillary Clinton.
Mas os negócios de Sargeant causaram controvérsia. O representante Harry A. Waxman, democrata da Califórnia, abriu uma investigação em julho para apurar se a companhia de Sargeant superfaturou o contrato com os militares sobre o abastecimento no Iraque, apesar de Sergeant ter dito que o escritório de Waxman tem uma compreensão errada sobre o que a companhia cobrou.
Sobre as doações políticas, Sargeant disse que freqüentemente pede contribuição a empresários associados e estende seu pedido à suas famílias, mas não explicou exatamente como Abu Naba'a conheceu a família Abdullahs na Califórnia.
Por MICHAEL LUO
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