24/07 - 13:54 - The New York Times

No Paquistão, há sete vezes mais homens do que mulheres contaminados com o vírus da Aids, mas os tabús do país com relação ao sexo dificultam o trabalho de contenção da doença, segundo divulgaram pesquisadores nesta semana.
As descobertas, publicadas no The Lancet, foram feitas por pesquisadores em duas universidades paquistanesas. Segundo eles, a Índia e o Bangladesh, que possuem culturas muçulmanas tão conservadoras quanto a o Paquistão, vêm enfrentando esses problemas de maneira mais aberta e transparente.
O Paquistão possui pelo menos 85.000 pessoas infectadas com o vírus, segundo a Unaids, a agência par Aids da Nações Unidas.
A lei islâmica proíbe o sexo fora do casamento e muitos paquistaneses acreditam que a doença não é uma ameaça em países muçulmanos, dizem os pesquisadores. Como resultado, praticamente inexiste qualquer tipo de iniciativa voltada para o sexo seguro.
Assim como em muitos outros países, relacionamentos gays e redes de prostituição masculina são uma realidade no Paquistão. Além do que, existem subculturas especializadas de hijiras e zenanas – uma vez que a maioria dos eunucos e devotos de uma deusa-mãe Hindu, hoje considerados parte de um grupo "altamente estigmatizado" de homens que se vestem como mulheres e são parceiros passivos de sexo anal. Os autores do estudo também explicam que em algumas áreas, é comum usar meninos como parceiros sexuais.
O uso de camisinha não é comum; segundo os autores, ela não pode ficar exposta nas lojas, e alguns homens que trabalham com prostituição acreditam que a infecção é uma “punição divina”contra suas próprias práticas sexuais.
Por DONALD G. MCNEIL JR.
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