16/07 - 10:47 - The New York Times
PARIS, França – Elas são estranhas, pesadas e feias, mas viraram modismo – e não estamos falando dos sapatos plataformas desta estação.
Um ano depois do lançamento substancial das bicicletas cinzas conhecidas como Vélib’s, elas estão sendo usadas por toda Paris. O aluguel das bicicletas é barato porque é subsidiado por publicidade, e outras grandes cidades - incluindo algumas norte-americanas – estão explorando projetos semelhantes.
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No primeiro ano, segundo informações da prefeitura, foram realizadas 27,5 milhões de locações – Paris tem aproximadamente 2,1 milhões de pessoas – a maioria delas alugadas para viagens diárias. Em média, são realizadas 120 mil viagens por dia. Em 27 de julho, com a conclusão do Tour de France, serão escolhidos 365 clientes da Vélib’s para acompanhar um trecho da competição e cruzar a linha de chegada.
Existe o site da Vélib’s, o modismo Vélib’s e um blog da Vélib’s; um post recente discutia a melhor maneira de dirigir uma bicicleta usando saia. Um novo tipo de comportamento “Vélib’s” está surgindo, principalmente durante o rush matutino, quando pessoas rapidamente buscam a melhor bicicleta a ser alugada: pneus cheios, correntes atadas, cestas no devido lugar.
Liberdade
Natallya Ghyssaert, médica de 34 anos, fez uma assinatura anual por 29 euros, que permite que ela use uma das bicicletas pelo período de 30 minutos, quando quiser e sem pagar taxas extras. Ela usa uma Vélib’s duas ou três vezes por dia e diz: ”Eu amo esse sistema; você pode ver Paris, pode se exercitar e ficar fora durante a luz do dia.”
Uma Vélib’s – junção de ‘vélo’ de bicicleta e ‘liberté’ de liberdade – pode também ser alugada por dia ou por semana, sendo cobrados 150 euros caso a bicicleta não seja devolvida. As taxas de uso aumentam gradativamente: duas horas custam 7 euros. Mas a maioria das locações dura menos que 30 minutos, pois as bicicletas podem ser devolvidas em qualquer estação.
Ninguém sabe ao certo quantas viagens de carro ou taxi são evitadas com esse sistema, mas, por ser “amiga do meio ambiente”, a Vélib’s vem sendo promovida em um país onde empresas alertam para a “fragilidade do nosso planeta” em revistas distribuídas em papel compacto.
Benjamin Tomada, um cozinheiro de 30 anos, estaciona uma Vélib’s próximo ao restaurante Music Hall, onde trabalha, e diz: “Eu tenho carro, mas não uso. É sempre melhor alugar uma bicicleta que andar de metrô.”
Perigos
Ainda assim, existem problemas significativos com o trânsito, a segurança, o vandalismo e os roubos. Pelo menos três mil bicicletas foram roubadas – quase 15% do total e duas vezes o original estimado. Algumas foram vistas na Romênia e outras foram encontradas em navios com destino ao Marrocos.
Como o uso de capacete não é comum na França, três pessoas já morreram com suas Vélib’s alugadas, atropeladas por ônibus e caminhões.
O programa de Vélib’s foi concebido pelo prefeito do partido socialista, Bertrand Delanoe, e um contrato de 10 anos foi assinado com a JCDecaux, a maior empresa de relações públicas e propaganda da França, depois de derrotar a oferta da rival Clear Channel.
| Getty Images |
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| Ao guiar uma Vélib's por Paris, é preciso |
“Falsa boa idéia”
As linhas de ônibus foram organizadas para as grandes ruas de passagem como o Boulevard Montparnasse – considerado muito largo, chamado de “XXG” pela imprensa. Ainda não como Amsterdã, Paris está construindo mais ciclovias, assim como diminuindo o espaço para estacionamentos ocupando-os com estações de Vélib’s.
“Isso é que os franceses chamam de ‘falsa boa idéia,’” diz Ronald Koven, motorista de carro. “Os congestionamentos estão muito piores, e por causa deles, a poluição também.”
Ghyssaert, a médica, disse que se sente segura com as bicicletas, “exceto em bairros tumultuados onde existem muitos carros.” Ela adimite que não é muito cuidadosa. “Eu uso a bicicleta para desviar do trânsito, e sei que muitos motoristas estão irritados com tantas Vélib’s nas ruas.”
Capacete seria uma boa idéia, disse, oferecendo uma solução muito francesa. “A cidade deveria conseguir mais subsídios e dar aos usuários da Vélib’s um cupom para retirar capacetes em grandes lojas.”
Por STEVEN ERLANGER
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