17/06 - 09:43 - The New York Times
PEQUIM, China – Há pouco tempo, os líderes chineses se sentavam em mesas de reuniões com os líderes norte-americanos e eram repreendidos.
Os EUA repreendiam a China por administrar de maneira errônea sua economia, desde a implementação de subsídios até as regulamentações para investimento estrangeiro e a avaliação da moeda local. A economia de vocês, os norte-americanos explicitavam fortemente, deveria parecer-se com a nossa.
Entretanto, nas últimas semanas, os dedos estão balançando em outra direção. Oficias do governo chinês estão censurando publicamente a maneira como os norte-americanos vêm administrando a economia dos EUA e defendem o modo mais assertivo da regulamentação chinesa.
Oficiais chineses aparentam estar irritados com a hipocrisia aparente com que os EUA ditam a eles o que fazer enquanto a própria economia norte-americana está estagnada. A China, por outro lado, mantém seu crescimento fervoroso.
Alguns especialistas estão promovendo o modelo chinês de administração da economia sugerindo servir aos países em desenvolvimento mais que ao modelo norte-americano, da mesma maneira que argumentam que a China está apressada em copiar o modelo multipartidário de democracia norte-americana.
Só nas últimas seis semanas, um regulador bancário sênior culpou Washington e sua concepção distorcida de regulação do mercado pela crise do mercado imobiliário norte-americano que abalou o mundo inteiro; o enviado chinês à Organização Mundial do Comércio visitou os EUA para barrar a depreciação do dólar antes que a situação agrave ainda mais a disparada dos preços do petróleo e dos alimentos; e agências chinesas enviaram uma denúncia ao comitê federal responsável por analisar os investimentos estrangeiros nos EUA, alegando que os norte-americanos estavam demonstrando “hostilidade” e uma “atitude discriminatória” em relação aos investimentos estrangeiros, não em menor grau em relação à China.
Tudo isso reflete um novo e ousado senso de autoconfiança por parte dos chineses. A China parece se sentir encorajada nesses dias que antecedem as Olimpíadas, vista no país como uma cortina que se levantará para que a nação ascenda em direção a supremacia mundial. O terremoto devastador mês passado ajudou a atrair para a China a compaixão do mundo todo, além de amortecer as críticas sobre a situação com o Tibet.
A posição agressiva da China chega em hora inoportuna para a Casa Branca. O secretário de Tesouro Henry M. Paulson Jr. e outros membros do gabinete irão se encontrar com representantes chineses em Anápolis, na terça-feira, durante a última rodada de reuniões para assuntos econômicos. Os norte-americanos possuem uma lista de reclamações, mas a China tem também a sua, encabeçada pela administração da moeda norte-americana e as restrições aos investimentos estrangeiros nos EUA.
Por EDWARD WONG
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