12/06 - 09:50 - The New York Times
SEUL, Coréia do Sul – Quando dez mil sul-coreanos se derramaram sobre as ruas centrais de Seul, na terça-feira (10/06) durante o maior protesto contrário ao governo nos últimos 20 anos, os policiais fizeram barricadas com contêineres cobertos com óleo e sacos de areia para que os protestantes não pudessem escalar ou removê-los para marchar em direção ao gabinete oficial do presidente Lee Myung-bak, algumas quadras distante.
Sem ter como avançar, as pessoas ali presentes colaram inúmeros folhetos na barricada formada, cuja mensagem sintetizava a imagem de Lee e sua alienação em relação à população: “Está é uma nova fronteira para nosso país. Aqui começam os EstadoS Unidos da Coréia do Sul.”
Ao fundo, uma voz feminina saia de alto-falantes incentivando os presentes a cantar: “Lee Myung-bak é Lee Wan-yong!"
Lee Wan-yong é um nome infame que todas as crianças sul-coreanas conhecem, um ministro da corte real até a virada do ultimo século e traidor nº1 da Coréia por ter ajudado o Japão Imperial a anexar a Coréia como sua colônia.
Os protestos apontam para a mudança de sorte da política de Lee. Quando foi eleito em dezembro de 2007, os sul-coreanos o saudaram como um líder há muito aguardado e que poderia salvar o país da aliança com os EUA, que estava tencionada desde o governo de Roh Moo-hyun, antecessor de Lee Myung-bak.
Apenas seis meses mais tarde, Lee encontra os sul-coreanos o difamando como aquilo que Roh disse que nunca se tornaria: “um líder coreano ajoelhado aos pés dos norte-americanos.”
"Enquanto estava engajado em uma liderança pragmática, Lee negligenciou o orgulho dos coreanos,” disse Choi Jin, diretor do Instituto de Liderança presidencial em Seul. “Se o que atrapalhou o governo de Roh foi o excesso de nacionalismo, o problema de Lee foi a falta dele.”
Os protestos mostram que a questão não foi apenas a impopularidade da decisão do presidente de expandir o acordo de importação de carne bovina norte-americana. A questão foi ferir o orgulho sul-coreano.
Este é um país pequeno em uma posição estratégia e com uma grande conscientização sobre ser explorado por grandes potências devido à sua posição. Os imperadores chineses cobravam impostos da Coréia; os invasores japoneses proibiam os coreanos de falarem sua própria lingual; EUA, Rússia e China dividiram a coréia em duas. Embora muitos aprovem a aliança com os Estados Unidos, os sul-coreanos não querem nem ouvir que devem obedecer a ordens norte-americanas.
Por CHOE SANG-HUN
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