04/06 - 13:38 - The New York Times
PARIS, França – Quando Jose Luis Duran veio da Espanha em 1994 para Paris trabalhar no Carrefour, grande varejista francês, ele não falava nenhuma palavra de francês. “Passei por uma imersão total desde o primeiro dia,” disse. “Eu estava em choque, mas você aprende rápido.”
Uma década depois, o Carrefour nomeou Duran, então com 41 anos, chefe executivo. Ele foi o primeiro estrangeiro a ocupar o posto.
Mais de meio século depois dos primeiros passos em direção a união econômica da Europa, as companhias do continente estão quebrando o teto de vidro que reservava os cargos mais altos para os cidadãos locais. Na medida em que crescem as pressões para que os negócios europeus sejam globais, eles começam a enxergar as vantagens de contratar executivos que saibam lidar com o mercado internacional e que tenham experiência em integrar funcionários e operações através de diferentes culturas.
E como o capital em si tornou-se global, as companhias européias sedentas por capital privado estão recrutando gerentes pelo seu desempenho e não mais pela sua nacionalidade, sinalizando para os investidores de que a companhia tem em vista negócios.
O crescimento notável de Duran no Carrefour não é um caso isolado. Em 2005, a Unilever nomeou um francês para administrar a multinacional alemão-inglesa, cargo pela primeira vez ocupado nem por um alemão nem por um inglês. Um ano antes, o grupo italiano Gucci, controlado pela família francesa Pinault, contratou um alemão da Unilever para o cargo de chefe executivo.
As mais importantes economias européias estão parecendo mais internacionais. Na Inglaterra, por exemplo, 34 das 100 empresas no índice FTSE 100 possuem chefes executivos não britânicos. Enquanto há uma década, a lista incluiria muitos executivos de países de língua inglesa como os Estados Unidos, Austrália e Irlanda, agora estão listadas juntamente com 15 americanos, três franceses, um suíço, um espanhol, um indiano e um cazaquistanês - Yong Keu Cha, de 50 anos, chefe executivo da Kazakhmysm, empresa que explora minas.
Especialistas dizem que a diversidade está apenas começando. De fato, cidadãos locais ainda são maioria na gerência de grande companhias européias. Na Itália, por exemplo, estrangeiros dirigem apenas duas das 40 empresas do índice MIB, e na Fiat, Sergio Marchionne tem dupla nacionalidade, canadense e italiana.
Entretanto, mesmo na última fortaleza, os dias de nacionalismo exacerbado no capitalismo estão contados. “Empresários inteligentes logo estarão dizendo ‘procurem o melhor candidato para o cargo,’” disse Luke Meynell, diretor da Russell Reynolds , uma empresa de recrutamento londrina.
Por JOHN TAGLIABUE
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