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Chavez renova agências de espionagem, críticos enxergam direitos ameaçados

03/06 - 09:29 - The New York Times

CARACAS, Venezuela – O presidente Hugo Chavez usou os poderes de seu decreto para implantar uma grande reformulação nas agências de inteligência na Venezuela, provocando um enorme retrocesso para grupos de defesa dos diretos humanos e pensadores, que afirmam que as medidas irão forçar os cidadãos a informar sobre suas atividades para evitar mandatos de prisão. 

A nova lei de inteligência, que entrou em vigor na última semana, requer que todo venezuelano e estrangeiro no país cumpra os pedidos de informação provenientes das agências, onde os policias e os responsáveis pela monitoração dos cidadãos são fiéis a Chávez. A recusa pode resultar de dois a quatro anos de prisão para a maioria e de quarto a seis para funcionários do governo.

"Estamos diante de medidas que são uma ameaça para nós,” diz Blanca Rosa Marmol de Leon, juíza da maior instância judicial da Venezuela, o Supremo Tribunal de Justiça, em um raro exemplo de dissidência entre os membros do sistema judiciário. “Tenho a obrigação de dizer, como cidadã e juíza. Este é um passo em direção a criação de uma sociedade de informantes.” 

As mudanças no aparato das agências de inteligência refletem um esforço de Chavez em garantir o controle sobre instituições públicas diante das derrotas sofridas ano passado, incluindo o fracasso na tentativa de aprovar um pacote de medidas constitucionais que aumentariam seus poderes.

Chavez afirmou que as novas leis pretendem garantir a “segurança nacional” contra “ataques imperialistas.” Ele rebateu as críticas, descrevendo-as como agentes do “império,” referindo-se aos Estados Unidos.

As novas leis de inteligência autorizam os agentes a usar “qualquer método especial ou tecnicamente desenvolvido” para interceptar e obter comunicações pessoais.

O desenvolvimento e a aprovação das leis em portas fechadas, sem trazer a questão para o debate público, o que poderia ter acontecido de Chávez tivesse submetido a decisão ao Congresso, também contribui para levantar suspeitas nos venezuelanos.

Um trecho da nova lei, que explicitamente exige a cooperação de juízes e promotores com as agências de inteligência, gerou preocupação entre especialistas e grupos de defesa dos direitos humanos, alarmados pela deterioração da independência do sistema judiciário de Chávez.

“Este é um governo que simplesmente não acredita na separação dos poderes,” disse Jose Miguel Vavanco, o diretor para as Américas da Human Rights Watch, organização com base em Nova York. “Aqui temos o presidente legislando por decretos, e os juízes precisam servir e espionar para o governo.”

Por SIMON ROMERO





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