iG - Internet Group

iBest

brTurbo

 

publicidade

ULTIMO SEGUNDO

 

iG BUSCA

enhanced by


Home > Notícia
  • Tamanho do texto
  • A
  • A

Aquecimento global aponta para carência de água e “africanização” da Espanha

03/06 - 10:38 - The New York Times

FORTUNA, Espanha – Ricas plantações de alface e estufas de tomate margeiam as estradas. Novos condomínios de casas de férias em tons pastéis atraem compradores da Inglaterra e Alemanha. Campos de golfe – dúzias deles, todos recentemente construídos – dão caminho para a praia. Ao menos, essa área da Espanha que foi intensamente trabalhada está prosperando.

Existe apenas um problema com essa imagem de generosidade: esta província de Murcia está carente de água. Em conseqüências do aquecimento global e de planos muito pobres de desenvolvimento, faixas de terra estreitas no sul da Espanha estão progressivamente virando deserto.

Murcia, tradicionalmente uma região agrícola pobre, vem recebendo nos últimos anos grades complexos hoteleiros, ainda que agricultores tenham investido em lavouras que exigem mais água devido a planos de irrigação que se tornaram insustentáveis. Essa combinação colocou novas pressões na área e o abastecimento de água está definhando.

Este ano, agricultores estão brigando com construtores pelo abastecimento. A disputa é para acertar quem terá água para abastecer seus projetos. Eles estão vendendo e comprando água a peso de ouro em um nascente mercado negro, a maioria advinda de poços ilegais.

O sudeste espanhol há tempos sofre com secas cíclicas, dizem cientistas, provavelmente reflexo das mudanças permanentes no clima trazidas pelo aquecimento global. E provavelmente anunciadoras de um novo tipo de conflito.

As batalhas de outrora disputavam terras. As do presente são centradas no petróleo. Mas as batalhas futuras – um futuro mais quente e seco devido às mudanças climáticas em grande parte do planeta – parecem ser focadas na água, dizem.

Dezenas de líderes mundiais se encontrarão a partir de terça-feira na Organização de Agricultura e Alimentação das Nações Unidas, em Roma, para discutir a crise global dos alimentos causada em parte pela escassez de água na África, Austrália e no sul da Espanha.

As mudanças climáticas significam que os desertos deverão expulsar de suas terras 135 milhões de pessoas, estima a ONU. A maioria delas está nos países em desenvolvimento. Mas o sul das Europa está enfrentando o problema atualmente, com o nível de seca em estágio semelhante à África, dizem cientistas. 

Para Murcia, a crise da água já começou. E a sua chegada foi acelerada pelos agricultores e construtores que investem em projetos que demandam uma quantidade insustentável de água, contribuindo para que o clima fique mais seco e quente: plantações de alface que precisam de ampla irrigação, resorts que prometem piscinas, hectares de campos de golfe que exigem milhões de litros de água por dia.

Por ELISABETH ROSENTHAL

Saiba mais sobre o aquecimento global





US Multimídia


Publicidade


Enquete