02/06 - 08:08 - The New York Times
PESHAWAR, Paquistão - Com grande alarde, o exército paquistanês levou jornalistas a um recanto isolado na região tribal do país em maio para mostrar quão decisivamente havia destruído a sede do Taleban, incluindo uma escola para homens-bomba, num combate no início do ano.
Dias depois, o geralmente recluso líder do Taleban paquistanês, Baitullah Mehsud, realizou uma coletiva de imprensa própria na mesma região, para mostrar quem estava no controle.
Ele apareceu em uma cara pickup Toyota com militantes armados do seu lado e anunciou que daria continuidade a sua luta contra os militares americanos do outro lado da fronteira, no Afeganistão.
"O Islã não reconhece fronteiras", ele disse aos jornalistas, de acordo com diversas publicações em jornais locais e na BBC. "Não pode haver acordo com os Estados Unidos".
A ostensiva aparição de Mehsud em sua base no sul do Waziristan, uma região particularmente sem leis na área tribal paquistanesa, ressaltou o amplo espaço que o governo do Paquistão concedeu aos militantes sob uma nova série de acordos de paz e seu impacto na guerra no Afeganistão, onde comandantes da Otan e dos Estados Unidos dizem que ataques vindos do outro lado da fronteira aumentaram desde então.
A impunidade do comportamento de Mehsud irrita a administração Bush, que pede sua prisão ao governo paquistanês.
Mas o governo paquistanês, que por vezes considerou Mehsud um aliado e agora teme seu poder, parece relutante em detê-lo. Dias antes de sua coletiva de imprensa, as forças paquistanesas se retiraram da região dominada por ele no sul do Waziristan como parte do acordo de paz.
Autoridades paquistanesas e americanas acusam Mehsud de planejar o assassinatos e Benazir Bhutto, antiga primeira-ministra do país, em dezembro e de enviar homens-bomba à ação tanto em seu país quanto no Afeganistão, enquanto forjava uma relação simbiótica com a Al-Qaeda na fronteira.
Mehsud e seu principal aliado, Qari Hussain, cujos oficiais e partidárias descrevem como um militante altamente treinado e particularmente ruim, têm construído fortes no norte e sul de Waziristan - matando líderes tribais que não cooperam, conquistando jovens desempregados para sua Jihad e substituindo o governo em serviços básicos à população. Agora, eles também têm tenentes e aliados em toda a região.
O Taleban paquistanês se espalha tão rapidamente que ameaça até mesmo Peshawar, a capital da província noroeste que faz fronteira com a região tribal, o inspetor geral da polícia, Malik Naveed Khan, alerta.
Por JANE PERLEZ
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