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Democratas enxergam em viagens para Cuba tema de campanha na Flórida

02/06 - 13:04 - The New York Times

MIAMI - Baltasar Martin Garrote deseja desesperadamente ver em Cuba sua mãe que faz 86 anos em agosto. Mas uma lei americana não o permitirá ir.

 

 

Cubano-americanos só podem visitar Cuba uma vez a cada três anos, então, por ter passado 12 dias na ilha em outubro do ano passado, ele precisa esperar, torcendo e rezando para que sua mãe, que tem câncer, viva até 2010.

"Isso não faz sentido algum,” diz Garrote. “Se você tem parentes doentes, você deveria ter o direito de vê-los. Isso não é politico.”
O presidente Bush enrijeceu as regras de viagem meses antes das eleições de 2004 a pedidos de líderes rigorosos com os cubano-americanos, e, este ano, os democratas estão tentando explorar a crescente frustração com o impacto da lei.

A lei tornou-se peça central das campanhas de três membros republicanos cubano-americanos que disputam o sul da Flórida. E no dia 23 de maio, o senador Barack Obama de Illinois, que trouxe para o estado sua campanha pela indicação do partido Democrata, recebeu aclamação quando disse a um grupo de cubanos exilados que ele permitiria imediatamente “visitas ilimitadas à família e remessas de dinheiro à ilha.” 

Pesquisas na comunidade confirmaram uma inclinação ao comprometimento, especialmente a respeito das viagens. Uma pesquisa de abril feita pela Universidade Internacional da Flórida descobriu que 55.2% se dizem favorável às irrestritas viagens a Cuba para todos os americanos – uma mudança em relação há três anos, quando 53.7% se opunham à medida.

Uma proporção ainda maior, 64%, disse que gostariam de retornar às regras pré-2004, que permitiam uma viagem ao ano.
E ainda, dizem estudiosos e pesquisadores, o foco em Cuba implicam em riscos.

Pesquisa da Universidade Internacional da Flórida detectou que uma maioria de 55.2% a favor de irrestritas viagens é fruto de uma divisão aguda – 74% de votantes não-registrados apóiam a idéia, enquanto 58% dos registrados são contrários.

Na verdade, os democratas devem estar sentindo falta de uma grande figura. Sergio Bandixen, que passou anos conduzindo pesquisas no sul da Flórida, disse que os cubanos representam agora somente 45% dos hispânicos votantes registrados na Flórida, contrastando com 75% oito anos atrás.

"O que você ganha focando sua campanha em restrições às viagens e remessas de dinheiro?” pergunta Bendixen. “Eu não entendo. Está perdendo mais da metade do eleitorado não-cubano, e as pessoas que poderiam se beneficiar com alguma mudança é uma parcela muito pequena do eleitorado. É um erro de estratégia.”

Por By DAMIEN CAVE





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