29/05 - 11:13 - The New York Times
WASHINGTON – Com a sua experiência e liderança creditadas sob agudas críticas, o senador Barack Obama e seus consultores estão tentando esclarecer o que foi levantada como sua principal proposta para a política externa: o desejo de encontrar-se com os líderes das nações inimigas.
Nos últimos dias, Obama, de Illinois, e seus assistentes têm enfatizado a diferença entre evitar pré-condições para conversas com nações desonestas como Iran e Síria e concedê-las discussões em nível presidencial.
Enquanto Obama tem dito que se distanciaria da política da administração Bush de recusar o encontro com certas nações ao menos que esses encontros aconteçam sob pré-condições, ele disse também que reservaria para si o direito de escolher com quais líderes gostaria de encontrar, devendo optar pelo encontro com todos eles.
O assunto apresenta um dos maiores desafios políticos de Obama no momento que ele aparece indo em direção às eleições gerais onde enfrentará o senador John McCain do Arizona: como continuar adicionando nuances à política da argumentação onde ele se vê como vencedor, sem cair na feroz rodada de acusações em que ele está ora desviando ora acalmando o inimigo.
McCain já vem acusando a campanha de Obama de “recuar,” particularmente sobre sua conversa com presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad.
McCain tocou novamente no assunto na última quarta-feira, perguntando ao público em Reno, Nevada, “Por que aquele senador Obama quer sentar-se com o presidente do Irã, mas ainda não sentou-se com o General Petraeus, o líder das nossas tropas?” (McCain convidou Obama para visitar o Irã com ele; Obama recusou o convite com um truque político deixando aberta a possibilidade de ir sozinho ao país.)
Obama disse que ainda está considerando o encontro com os líderes iranianos, entretanto, não assegurou que irá encontrar-se com Ahmadinejad diretamente.
"Eu acho que esse é um exemplo de que, como o debate sobre a nossa política externa tornou-se atrofiado nos últimos oito anos, esse é um assunto que os adversários tentam se apropriar,” disse Obama em entrevista na quarta-feira. “É, na verdade, uma visão muito convencional de como a diplomacia deveria trabalhar e que se tornou uma má reputação para os republicanos em Washington.”
McCain e o Comitê Nacional Republicano atacaram Obama por ter uma posição mais feroz que seus companheiros democratas jamais tiveram, com especial foco em Ahmadinejad, que recentemente chamou Israel de uma “subdivisão militar fedorenta”.
Obama e seus assistentes responderam com mais uma defesa severa. Disseram, primeiramente, que seus adversários usaram seus comentários de que gostaria de encontrar-se com o líder do Irã sem pré-condições como uma afirmação errônea que esses seriam seus planos definitivos.
Por JIM RUTENBERG and JEFF ZELENY
Leia mais sobre eleições nos EUA
Publicidade
Ahmadinejad propõe dirigentes "puros e monoteístas" frente à crise alimentar