28/05 - 08:02 - The New York Times
DUJIANGYAN, China - Pais cujos filhos foram esmagados até à morte em suas salas de aula durante o terremoto que atingiu a província de Sichuan tornaram suas cerimônias de luto em protestos nos últimos dias, forçando as autoridades a cuidar de uma crescente resposta política à fraca construção das escolas públicas.
Os pais de cerca de 10.000 crianças que perderam a vida no terremoto estão tão enraivecidos a respeito da destruição das escolas que superaram sua comum relutância em confrontar as autoridades do Partido Comunista. Muitos dizem estar especialmente chateados com o fato das escolas para alunos pobres ter sucumbido mesmo que escritórios governamentais e escolas de elite tenham sobrevivido intactos.
Na terça-feira, uma reunião informal de pais em Dujiangyan para celebrar a memória de seus filhos se transformou em raiva descontrolada. Um dos pais presentes, um acuado trabalhador chamado Liu Lifu, pegou o microfone e pediu justiça. Sua filha de 15 anos, Liu Li, morreu juntamente com seus colegas de classe durante uma aula de biologia.
"Nós exigimos que o governo puna severamente os assassinos que causaram a queda da escola", ele gritou. "Por favor, assinem a petição para que possamos descobrir a verdade".
A multidão ficou mais agitada. Alguns pais disseram que as autoridades locais sabiam há anos que a escola não era segura, mas se recusaram a tomar uma atitude. Outros se lembram que levou duas horas para que o resgate aparecesse no local; mesmo assim, eles pararam de trabalhar às 22h na noite do terremoto e não voltaram até às 9h do dia seguinte.
Apesar de não haver uma contagem oficial, apenas 13 dos 900 alunos da escola sobreviveram, disseram os pais. "As pessoas responsáveis por isso precisam vir aqui e tomar um tiro na cabeça", disse Luo Guanmin, um fazendeiro que embalava nos braços a foto de sua filha de 16 anos, Luo Dan.
Os protestos ameaçam prejudicar as tentativas do governo em promover sua resposta ao terremoto como eficiente e ressaltar o resgate heróico do Exército da Libertação do Povo, que enviou 150.000 soldados à região.
As autoridades de Pequim parecem reconhecer a delicadeza do assunto. Na segunda-feira, o porta-voz do Ministério da Educação, Wang Xuming, prometeu uma reavaliação dos prédios escolares da região do terremoto, acrescentando que os responsáveis pelas falhas na construção serão "severamente punidos".
Por ANDREW JACOBS
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