27/05 - 09:21 - New York Times
Cientistas sociais não conseguiram explicar. Por que nos preocupamos em ir às urnas quando nosso voto individual não tem chance de determinar o resultado de eleições nacionais? A variação na votação - por idade, raça, renda ou o que seja - é difícil de caber em uma teoria de comportamento humano que assume que as pessoas são racionais. Mas com tempo de sobra antes de novembro, a biologia molecular veio nos ajudar. Da mesma forma que pesquisadores descobriram que há um papel genético na determinação da orientação sexual ou da propensão ao fumo, eles usaram os genes para entender as escolhas políticas.
Isso parece um exagero, e pode ser. Mas há evidências tentadoras de um componente hereditário nas escolhas políticas. Uma forte relação entre as escolhas partidárias de pais e filhos. Estudos que compararam gêmeos idênticos e fraternos sugerem que os genes fazem sua parte da mesma forma que a influência social e psicológica dos pais. Cientistas políticos da Universidade da Califórnia, em San Diego, foram ainda mais longe, identificando genes específicos que estão associados com a participação nas eleições.
Aparentemente, pessoas com uma variação do gene MAOA são mais propícias ao voto do que a outra versão. Entre freqüentadores da igreja, aqueles com um tipo de gene que cria a molécula transportadora 5HTT nas paredes dos neurônios (não pergunte o que isso quer dizer) são substancialmente mais propensos ao voto do que outros.
De acordo com os pesquisadores, James H. Fowler e Christopher T. Dawes, funciona mais ou menos assim: o stress causa a liberação do excesso de serotonina no cérebro, o que pode matar neurônios que não forem metabolizados. As pessoas com a versão correta do gene MAOA e o 5HTT lidam melhor com o stress porque sintetizam moléculas necessárias para reabsorver a serotonina e dissolvê-la. As pessoas que lidam melhor com o stress lidam melhor com os conflitos que surgem ao se formar uma opinião política e votar.
Similarmente, pessoas com a versão A2 do gene receptor de dopamina D2 são mais capazes de se tornarem partidárias porque uma melhor produção de dopamina no cérebro se relaciona a mais atitudes sociais e promove a ligação a grupos como partidos políticos.
Claro, essas descobertas não significam que somos robôs. Elas sugerem meramente que os genes afetam nossa suscetibilidade ao estímulo social e ambiental. Se certos genes nos tornam mais receptivos às mensagens políticas, ou mais ou menos dispostos ao voto, então sabemos qual o próximo passo que a sociedade precisa dar: manter os remédios que os tratam longe das mãos dos políticos.
Leia mais sobre eleições nos EUA
Publicidade
Rumores de Clinton como candidata à vice-presidência aumentam
McCain rompe com televangelista após polêmica em torno de sermão sobre o holocausto
Obama diz que faltam apenas 200 delegados para decidir candidatura
Obama recupera terreno após romper com reverendo, segundo pesquisa