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Conflitos pairam sobre a líder da Argentina

26/05 - 14:01, atualizada às 23:08 26/05 - The New York Times

BUENOS AIRES – Esses podem ser tempos volúveis para a Argentina e para a primeira mulher na presidência, Cristina Fernandez de Kirchner. Os preços das commodities da agricultura estão decolando, o consumo tem crescido e os investimentos estrangeiros aumentam.

 

Por cinco turbulentos meses, Kirchner está se esforçando para escapar do destino dos líderes argentinos do passado: fracassar no governo durante os bons tempos. 

A estratégia desenhada pelo marido de Kirchner, Néstor Kirchner, seu antecessor na presidência, está mostrando sinais de tensão.  Até agora, a presidente se recusa a mudar de estratégia, o que tem ajudado a definir a parte inicial de seu mandato de quarto anos.

O aumento da inflação se tornou a preocupação de muitos argentinos. Um conflito de dois meses entre governo e agricultores a respeito das taxas sobre exportações tem enfraquecido a popularidade da presidente Kirchner e causado fissuras em seu partido peronista. E, com a chegada do inverno na América do Sul, as chances de a Argentina evitar outra crise energética como a de 2007 depende da generosidade do vizinho Brasil, que promete exportar eletricidade.

Nem mesmo o discurso de Kirchner no domingo, durante o aniversário da Revolução de Maio da Argentina, alavancou suas ambições. Um "pacto social" com os sindicatos e outros grupos que ela planejava anunciar para combater a inflação não aconteceu. Ao contrário, Kirchner foi ofuscada por um grande comício organizado por agricultores, grupo que tem se tornado nas últimas semanas quase um nascente movimento político. 

Kirchner classificou o dia 25 de maio como a chance dos argentinos "de deixar de uma vez por todas 200 anos de fracassos e frustrações." Mas, ao invés de anunciar algo novo em seu discurso de 15 minutos na cidade de Salta, ela referiu-se às conquistas do governo passado e não mencionou diretamente o conflito com os agricultores.

Pelos campos de Rosário, agricultores acenaram com cerca de 300 mil bandeiras. Eles criticaram a presidente por fracassar no apoio ao interior do país. "Sra. Presidente, não minta mais para nós," disse Alfredo de Angeli, presidente do Entre Rios, filial da Federação Agrária da Argentina. "Você não sabe como administrar esse país."

Kirchner, ex-senadora eleita presidente com folga em outubro, é vista como uma versão moderna de Eva Perón. Ela prometeu dar continuidade à prosperidade do país e adotar programas sociais para redistribuir a riqueza.

Por ALEXEI BARRIONUEVO

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