23/05 - 06:16 - New York Times
REIGER PARK, África do Sul - Feneck Mgawa, mecânico de 39 anos do Malauí, chegou à África do Sul há 18 meses. Ele conseguiu emprego rapidamente e passou a viver em um barraco num assentamento e enviar dinheiro para casa todos os meses para sustentar sua esposa e dois filhos.
Ele era exatamente o tipo de estrangeiro que a multidão queria matar.
No final de semana passado, eles vieram ao seu barraco. Apenas para garantir que não estavam direcionando sua raiva erroneamente eles perguntaram: "você é estrangeiro?". Ele falou o suficiente em zulu para mentir, mas não adiantou, seu sotaque o entregou. Ele escapou com vida depois de apanhar com paus e pedras, conta.
Mgawa agora é um dos 6.000 imigrantes que tiveram que fugir de uma onda de violência xenofóbica na região de Reiger Park, leste de Joanesburgo. Como muitos outros, ele teme voltar a seu barraco ou ir trabalhar. Ele dorme no chão de uma igreja e come sanduíches e mingau doados por sul-africanos chocados com o comportamento assassino de seus conterrâneos.
Assim que puder, Mgawa pretende deixar o país, parte de uma enorme onda migratória inversa de estrangeiros que desesperadamente buscam voltar para o Malaui, Moçambique, Zimbábue e outros. Mais de uma semana de violência anti-imigrantes deixou 42 mortos, disse a polícia. A violência continua esporadicamente e, na quinta-feira, os militares se uniram à polícia para tentar impedir os ataques. Estimativas do número de imigrantes expulsos de suas casas variam entre 13.000 e 20.000.
Essa nação de 48 milhões de pessoas é a casa de cerca de 5 milhões de imigrantes. Estrangeiros destituídos geralmente aceitam trabalhar por salários menores e isso gera desconforto entre a população pobre local, que sente ter seus empregos roubados.
Notícias da última semana preocuparam outros sul-africanos. O temor de mais violência étnica é culpado pela queda da moeda local. Explosões de fúria coletiva prejudicam o turismo. Será que isso irá afetar o sedeamento da Copa do Mundo em 2010?
Para um grande homem existe simplesmente a vergonha.
"Nós seres humanos, desde o Jardim do Éden, procuramos por culpados", escreveu o reverendo Desmond Tutu, vencedor do prêmio Nobel da Paz. "Nós ainda somos filhos de Adão e Eva e temos genes que procuram por desculpas".
- BARRY BEARAK
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