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Após 60 anos, árabes ainda se sentem deslocados dentro de Israel

07/05 - 13:49, atualizada às 12:32 08/05 - The New York Times

Jerusalém – Quando o Estado de Israel celebrar seu 60° aniversário nas próximas semanas, em memória ao renascimento nacional judaico e valores democráticos, os árabes, que consistem em 20% da população do país, não estarão comemorando. Contando com uma melhor situação, integração e liberdade do que a grande maioria dos outros árabes, os 1,3 milhão de cidadãos árabes de Israel encontram-se em uma conjuntura bem inferior a de judeus e ainda se sentem deslocados dentro do país.

 

Nesta quinta-feira, que é o Dia da Independência, milhares ficarão nas aldeias que moravam nos último anos e protestar contra o que chamam de “nakba”, ou catástrofe, que significa o nascimento de Israel. Para a maioria dos israelenses, a identidade judaica é uma questão central para a nação. Por este motivo, eles se orgulham de morar aqui e de ter uma ligação com a história. Mas árabes israelenses, incluindo aqueles mais integrados à sociedade, dizem que uma nova identidade deve ser encontrada para a sobrevivência a longo prazo do país.

“Eu não sou judeu”, protestou Eman Kassem-Sliman, radialista árabe que fala impecavelmente o hebreu, cujos filhos freqüentam uma escola judaica em Jerusalém. “Como posso fazer parte de um Estado judeu? Se eles definem que Israel é um Estado judeu, então eles ignoram minha presença aqui”.

A esquerda e a direita vêem cada vez mais árabes israelenses o desafio central para o futuro de Israel – uma fronteira intransitável para um acordo decisivo entre judeus e árabes. Muitos judeus temem perder no final das contas a batalha geográfica para a população árabe.

Muitos afirmam que bem como o fim da identidade judaica nacional significaria um fim do Estado de Israel, falhas para promover a sensação entre árabes de que pertencem à sociedade israelense seria perigoso, uma vez que árabes defendem a idéia que, com 60 anos ou não, Israel é um fenômeno passageiro.

“Quero convencer o povo judeu de que ter um Estado judeu é algo ruim para eles”, disse Abir Kopty, defensor da causa dos árabes israelenses.

Um Estado Palestino é amplamente visto como uma solução potencial para por fim às tensões em Gaza e na Cisjordânia. Contudo, qualquer conflito mais profundo com os próprios árabes de Israel poderia significar ainda mais problemas.

A grande maioria dos judeus, de acordo com pesquisas, é favorável à proposta de retirar árabes de Israel como parte de uma solução em dois Estados, idéia que era considerada extrema uma década atrás.

Os árabes rejeitam essa idéia por preferirem parcialmente a certeza de uma democracia israelense imperfeita do que a possível criação de um Estado Palestino frágil. Este é um dos paradoxos que permeiam a população árabe-israelense. O descontentamento deles aumento, mas também a ideologia de que pertencem ao país.

-Ethan Bronner





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