31/03 - 09:18 - The New York Times
George W. Bush e Vladimir Putin, após meses de ressentimentos e anos marcados pela inércia, parecem estar, surpreendentemente, preparados para tratar de assuntos sérios. Esperamos que não seja tarde, já que ambos os presidentes se encontram no final de seus mandatos e há ainda diversas questões a serem solucionadas.
Um dos assuntos é sobre armas nucleares. Desde que fixaram o Tratado de Moscou em 2002 – que exige uma limitação dos arsenais nucleares para um máximo de 2200 ogivas operacionais para ambos os lados – não houve qualquer reunião mais profunda sobre cortes ou redução das milhares de armas que os países mantêm na reserva.Outro ponto que deve ser abordado é o autoritarismo e as políticas ameaçadoras de Putin – na Rússia e no exterior. Bush conteve seu crescimento, mas sua paixão sem limites por um sistema de defesa a base de mísseis que não foi comprovado fez com que as críticas contra o líder russo fossem desviadas.
E temos ainda o Irã. Durante meses, enquanto os dois presidentes trocaram farpas entre si, o Teerã desafiava o Conselho de Segurança, adquirindo cada vez mais habilidade para a construção de suas próprias armas nucleares.
A idéia de um novo “trabalho estratégico” é de Bush. Ele claramente deseja um legado melhor enquanto políticas internacionais; mandou duas vezes seus secretários de Defesa e Estado para Moscou a fim de “vender” tal idéia, e deve viajar ainda esta semana para um hotel no Mar Negro, onde terá uma reunião com Putin.
Bush está especialmente ávido por expandir sua visão grandiosa de um sistema de defesa a base de mísseis, incluindo uma base européia na Polônia e Republica Tcheca. A tecnologia ainda está longe de ser implementada e não irá propor qualquer ameaça ao enorme arsenal russo. No entanto, não impede com que Moscou objetive e utilize isto como uma desculpa para uma postura anti-americana.
De maneira muito atrasada, Bush ofereceu concessões, como permitir que Moscou monitore o sistema, além de concordar em não ativá-lo até que uma ameaça verificável do Irã ou outros Estados inimigos ainda seja possível. Os russos não mudaram de opinião. Se Bush quer agora um acordo, ele terá que negociar mais, além de concordar em não desenvolver interceptadores até que ameaças ainda sejam confirmadas.
Bush finalmente concordou em estender ou substituir o Start I, que expira em 2009. O que realmente importa é que este tratado fixa as regras para verificação de obediência de ambos os lados aos compromissos de controle. O desprezo de Bush por alianças era tão grande, que ele aparentemente parecia querer desistir da meta.
Infelizmente, Bush não propõe cortes profundos em armas nucleares. Em um mundo pós- Guerra Fria, é impossível justificar a necessidade de milhares de armas. A recusa e a teimosia de Bush dão a diversos países a forte desculpa para ignorarem as políticas excessivas do Irã e ainda para justificarem suas próprias ambições nucleares.
Bush deve ser saudado por tentar colocar as relações com a Rússia em um trilho melhor. Contudo, a iniciativa foi tomada muito tarde e parece muito similar aos temores da Guerra Fria para representar um avanço significante. O próximo presidente norte-americano deve fazer muito mais.
Publicidade
Editorial - As viagens de Bush ao Oriente Médio mostram pouco avanço político do presidente
"Parei de jogar golfe após morte de Sérgio Vieira de Mello", diz Bush em Nova York