24/03 - 13:40 - The New York Times
A China adota uma postura linha-dura com o Tibete e outras províncias vizinhas. Ela enviou mais tropas para regiões instáveis e prendeu multidões em Lhasa. O país reconheceu que atirou em ativistas em Sichuan. Até agora, a resposta da comunidade internacional – e do Comitê Olímpico Internacional – tem sido morna. Pequim deve ser intimado a prestar contas ao mundo, especialmente frente ao fato que será palco dos Jogos de 2008.
Sabemos apenas meros detalhes do que está de fato acontecendo. A China bloqueou a maior parte das coberturas, embora tenha se comprometido a dar livre acesso a jornalistas durante a realização das Olimpíadas. Grupos exilados tibetanos dizem que ao menos 100 pessoas teriam morrido em decorrência da violência, enquanto Pequim estima esse número seja de aproximadamente 20 vítimas fatais.O Departamento de Estado diz que o Tibete – tirado a força pela China em 1951- é uma das regiões “mais pobres do país”. Autoridades aumentaram o controle da prática de budismo na região e ainda cometeram diversos crimes contra os direitos humanos.
Dalai Lama, líder religioso do Tibete, tem mostrado uma extraordinária posição contra aquilo que denominou como “genocídio cultural”. Apesar do derramamento de sangue, ele reafirmou seu comprometimento com a paz e com o aumento da autonomia – e não da independência – do Tibete. Em resposta, Beijing o chamou de “demônio”.
No entanto, o autoritarismo da China está explodindo antes do tempo, na medida em que alimenta o ressentimento que culminou em Lhasa, bem como radicaliza os tibetanos, que cada vez mais exigem sua independência.
Os Estados Unidos e outros países importantes devem ir além dos discursos anêmicos que tentam moderar as posições tomadas pela China. Ao contrário, deveriam deixar evidente que tal repressão viola a promessa da China em melhorar sua atuação nos direitos humanos quando foi escolhida para sediar as Olimpíadas. Isso fere o espírito olímpico, que exalta a “dignidade humana”. Mancha ainda a Declaração Universal de Direitos Humanos, que reconhece “direitos iguais e inalienáveis a todos”.
O ocidente tem como obrigação pressionar por um diálogo entre Pequim e Dalai Lama, além de encorajar o Conselho dos Direitos Humanos da ONU que inicie um trabalho no Tibete, bem como fez em Israel, Sudão e Mianmá, onde diversos abusos foram denunciados. A Casa Branca diz que o presidente Bush está tentando secretamente influenciar Pequim. Até agora, entretanto, não vimos qualquer resultado positivo.
De maneira imperdoável, o Comitê Internacional Olímpico fez muito pouco para defender seus valores e se limitou aos planos da tocha olímpica passar por Lhasa.
O boicote aos jogos não funcionaria; já sabemos isso por experiências anteriores. Mas a iniciativa de Bernard Kouchner, ministro do exterior da França, de não comparecer à cerimônia de abertura, é uma idéia considerável. Qual mensagem é passada, se Bush e outros dignitários prestigiam a festa chinesa como se nada de errado estivesse acontecendo no Tibete?
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