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Após cinco anos da invasão, Iraque ainda tem profundas divisões políticas e religiosas

19/03 - 18:09 - The New York Times

BAGDÁ – A conferência que aconteceu terça-feira no Iraque foi caracterizada como um “diálogo” nacional que traria as diferentes e combatentes facções para discutir suas diferenças e emergir com um plano para coexistência pacifica.

Mas se a conferência de reconciliação nacional que aconteceu aqui na terça-feira revelou qualquer coisa, foi que quaisquer divisões políticas e religiosas que passaram por esse país destruído não estão nem perto de serem solucionadas.

Três dos blocos políticos mais importantes boicotaram a conferência.

Poucos, se algum, dos baathistas, integrantes de milícia ou representantes da insurgência – os grupos que muitos acreditam serem os principais obstáculos para a reconciliação – foram na conferência.

Um importante líder tribal saiu correndo do auditório depois dos discursos de abertura e ameaçou abandonar a conferência.

“As pessoas querem respostas de nós”, disse o Sheik Ali Hatem al-Suleiman, da província Anbar, líder do movimento Despertar, a maior milícia sunita que se voltou contra a insurgência. “Não iremos nos sentar aqui somente para ouvir discursos”.

Oficiais do governo iraquiano e americano insistiram que a violência reduzida irá abrir caminho para harmonia e um fim nos conflitos sectários. O primeiro-ministro Nouri Kamal al-Maliki, falou para os vários xeques, clérigos e políticos, sunitas e xiitas, que se uniram no auditório de um fortemente armado centro de convenção na Zona Verde, mostraram essa esperança.

A reconciliação nacional, ele disse, “não é só um slogan político”, mas um “caminho seguro” que irá levar o Iraque à estabilidade, reconstruindo a infra-estrutura do país sobre uma forte fundação.

Mas em entrevistas depois da sessão matutina, alguns questionaram como era possível ter um diálogo com oponentes ausentes.

“Esperávamos ver mais pessoas convidadas, pessoas que realmente representam os elementos iraquianos”, disse o Sheik Muhammad Faham al-Rikahis, líder da tribo xiita Al Shibil no sul. “Então a questão é, por que não foram todos convidados?”.

O partido do primeiro-ministro Ayad Allawi's party, o Fronte de Consenso Iraquiano, se recusou a participar da conferência, assim como o Hiwar, o partido de minoria que inclui xiitas e sunitas, e o Tawafiq, o maior bloco político sunita.

Ayad al-Samurai, um porta-voz do Tawafiq, disse que apesar de alguns integrantes terem recebido convites pessoais para a conferência, nenhum convite oficial havia sido feito, e “portanto, seus membros preferiram não participar”.

Mas Akram al-Hakim, cujo Ministério pelo Diálogo Nacional organizou a conferência, insistiu em uma coletiva de imprensa na terça-feira que, apesar dos boatos “na imprensa” de que alguns blocos políticos não haviam sido convidados, convites foram enviados “para os grupos diretamente e para seus chefes também”.

Os poucos participantes entrevistados não conseguiam nem concordar quem poderia ser culpado pelos rachas que todo dia abrem novas feridas em um país já banhado em sangue. Alguns culpam o governo de Maliki, outros os insurgentes. Existem aqueles que apontam para os baathistas leais a Saddam Hussein e até mesmo para o Irã, que eles dizem exercitar uma forte influência no governo e em algumas milícias xiitas.

O vice-presidente dos EUA, Dick Cheney, que visitou o Iraque na terça-feira, falou na Base Aérea Balad, ao norte do Iraque, sobre o “incrível progresso feito no país”.

Cheney também viajou para a região curda semi-autônoma, onde ele pediu para o presidente Massoud Barzani ajudar a “concluir uma nova relação estratégica entre os EUA e o Iraque, assim como aprovar partes cruciais de uma legislação nacional nos próximos meses”.

Mais de 482 quilômetros ao sul, na cidade sagrada xiita de Karbala, sangue ainda cobre as paredes dos prédios onde uma bomba explodiu na segunda-feira, matando pelo menos 43 pessoas. Integrantes das famílias colocaram os corpos em caixões e viajaram até Najaf para enterrá-los, cantando “Deus é grande, Deus é grande”.

Na cidade ao norte do Iraque, em Mosul, um carro-bomba explodiu, matando três pessoas e ferindo 40.

 

- Erica Goode e Ahmed Fadam





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