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Editorial: evitando um novo genocídio

14/03 - 13:08 - The New York Times

A grande falha do mundo em relação ao conflito armado na região de Darfur pode ser logo repetida através uma nova guerra no sul do Sudão. A ocorrência de outro genocídio não pode ser permitida de forma alguma.

O palco da nova ameaça é a rica região de recursos petrolíferos de Abyei, cujo controle é reivindicado por ambos o governo do Sudão e o governo semi-autônomo do sul. Centenas de pessoas já morreram nos últimos confrontos entre um grande grupo de árabes nômades, os Misseriya, e forças armadas do Sudão. Assim como as milícias janjaweed desencadearam horrores em Darfur, os Misseriya estão armados e contam com o apoio de Cartum.

Antes do acordo de paz intermediado pelo governo Bush em 2005, mais de 2 milhões de pessoas morreram na guerra civil que durou 20 anos. O objetivo era criar um Estado unificado democrático. O presidente do Sudão, Omar al-Bashir, desde então tratou de recusar quaisquer medidas que pudessem concluir o tratado.

Ele rejeitou um plano para administrar Abyei, que definiria suas fronteiras e a compartilha dos lucros petrolíferos da região. Além disso, ainda se recusou a cumprir outros comprometimentos: formação de unidades militares comuns, a volta dos refugiados e a realização de um referendo antes das eleições nacionais de 2009.

O presidente George W. Bush deveria pressionar Cartum para que conclua tais procedimentos. No entanto, como sempre, isso parece longe de ser completado.

Estamos esperançosos sobre o novo enviado apontado por Bush, Richard Williamson, grande advogado que já estimula as Nações Unidas e a Casa Branca a mais esforços pelo pesadelo de Darfur. O Conselho de Segurança da ONU prometeu enviar 26 mil enviados de paz ao local no final do último ano. Até agora, devido à obstrução de Cartum, burocracia da ONU e à incipiência dos maiores Estados, apenas 9 mil supervisores se encontram na região.

A meta de Williamson, de reunir mais 3,600 missionários até o fim do mês de maio, é ainda insuficiente frente às demandas do conflito. Antes que seja tarde, ele ainda deve achar meios para salvar o acordo de paz entre o sul e o norte.

Tudo isto significa que a comunidade internacional deve achar caminhos mais efetivos para pressionar Cartum. A china, maior cliente de petróleo do Sudão, tem grandes possibilidades, mas até agora não mostrou qualquer ação. Beijing e a Rússia devem suspender a venda de armamento. Os Estados Unidos, por sua vez, devem manter as sanções em questão e demarcar uma zona de exclusão área sobre Darfur.

Importantes países da comunidade internacional – incluindo a Europa e aliados árabes do Sudão – deveriam deixar claro ao Sudão que uma ofensiva contra o sul implicaria em sérios custos. A ONU deveria ampliar a monitoração de pontos de Abyei, bem como trabalhar para prevenir confrontos locais em grande escala.

Os Estados Unidos e outros devem também elaborar um sistema de apoio em casos de emergência. Muito mais deve ser feito para de fato ajudar a reconstrução de economia e do governo do Sudão.





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