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Editorial: os assuntos particulares do governador Spitzer

11/03 - 13:02 - The New York Times

O governador de Nova York, Eliot Spitzer, não poderia ter cometido um erro mais grave do que sua breve aparição pública na última segunda-feira, após o mundo tomar conhecimento de seu envolvimento com uma rede de prostituição. O político não traiu apenas sua família. Ele traiu o povo, e agora é difícil enxergar como ele irá se recuperar desta sujeira e liderar a agenda reformista, grande causa de sua eleição.

Ao lado de sua mulher, cujo rosto estava pálido, o governador se desculpou e afirmou que suas atitudes “violam sua obrigação para com sua família e violam o seu, e qualquer senso, do certo e errado”. Seu discurso, curto e insolente, simplesmente foi insuficiente. Não foi o bastante vindo do Xerife da Wall Street, da figura que se auto-denominou Senhor Limpeza, do líder foi a Albany com a promessa de dias melhores.

É provável que todos os aspectos da vida paralela de Spitzer, como Cliente 9 da Boate Emperors VIP – assim como foi identificado por uma pessoa envolvida com o caso – bem como todas as mensagens de texto e outras ligações secretas, venham à tona na vida pública. Nenhum político teria um tempo integral apenas para lidar com tais revelações. Durante os anos, vários políticos eleitos sobreviveram a escândalos deste nível. No entanto, para Spitzer, que governa um estado populoso e complexo como Nova York, a fardo para mostrar que não perdeu credibilidade é especialmente mais difícil, bem como reverter a conjuntura e voltar as atenções para um orçamento positivo e bom governo, como prometeu há um ano.

Enquanto poucos clientes de prostitutas são acusados criminalmente pelo ato, a lei prevê ao menos a possibilidade de processos criminais baseados no transporte de mulheres entre os Estados para a realização prostituição. O histórico do próprio Spitzer sobre ações legais contra tais casos de violação o coloca em um cerco ainda mais estreito. Como promotor geral do Estado, ele já acionou judicialmente, e com entusiasmo, algumas redes de prostituição- alegando que os esquemas geralmente estão envolvidos com tráfico humano, de drogas e lavagem de dinheiro. Em 2004, em Staten Island, Spitzer participou de investigações que culminaram com a prisão de 16 pessoas ligadas à promoção da prostituição.

Uma tragédia muito maior, que perpassa o estrago na família do político e os danos à causa da reforma, é que os alvos de Spitzer vivem agora um “tormento torturador”. Aqueles de Wall Strett, que soltam faíscas por terem de tornar seu mundo um pouco mais justo para simples acionistas, podem agora gargalhar com satisfação frente às recentes revelações. Já entre os novos republicanos de Nova York, que bloquearam algumas de suas mais importantes reformas em Albany, é difícil de imaginar sua grande alegria– especialmente em um momento em que se encontram em uma disputa acirrada pela maioria no Senado.

Infelizmente, essa não foi a primeira vez que Spitzer foi pego de surpresa em sua própria arrogância. Em relação a suas promessas como governador, o primeiro ano do político foi desnecessariamente engessado e marcado por diversas falhas, que vêm mais do excesso de sua segurança que do fato de ser um novato no poder. Após desfrutar de relativo sucesso com algumas reformas, as tentativas fracassadas para manchar a figura de seu oponente republicano fizeram com que o político desperdiçasse meses de progresso. Apenas recentemente ele parecia acalmar seu temperamento e estilo tempestuoso.

Leia mais sobre: prostituição em Nova York

 





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