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Governador de Nova York é acusado de envolvimento em rede de prostituição

10/03 - 20:35 - The New York Times

ALBANY, Nova York – O governador Eliot Spitzer foi pego através de uma escuta telefônica federal para se encontrar com uma prostituta de luxo em um hotel de Washington no mês passado, de acordo com uma pessoa envolvida na investigação federal.

 

Um depoimento da investigação federal sobre uma rede de prostituição afirmou que um grampo telefônico captou um homem identificado como cliente 9 em uma ligação confirmando planos de uma mulher ir de Nova York para Washington, onde ele tinha um quarto de hotel reservado. A pessoa envolvida no caso identificou Spitzer como o cliente 9.

Na segunda-feira, Spitzer deu uma coletiva de imprensa na qual ele pediu desculpas pelo seu comportamento e o descreveu como um “assunto particular”.

“Eu agi de maneira que violou minha obrigação com minha família, além de mim mesmo e de qualquer senso de certo ou errado”, disse Spitzer, que apareceu com sua mulher Silda em seu escritório de Manhattan. “Eu primeiro me desculpo com minha família. Peço desculpas ao público, o qual eu prometi mais”.

“Eu desapontei e fracassei em manter o padrão que esperava de mim mesmo. Agora devo dedicar um tempo para recuperar a confiança de minha família”.

Antes de falar, Spitzer colocou seus braços ao redor de sua mulher, os dois balançaram a cabeça e depois caminharam para encarar mais de 100 jornalistas. Ambos tinham os olhos cheios de lágrimas, mas eles não choraram.

O governador falou por cerca de um minuto e não comentou sobre seu futuro político.

Ele se recusou a responder questões e prometeu voltar a falar logo. Conforme saía, três jornalistas gritaram “você está renunciando?”; Spitzer bateu a porta da sala.

O governador descobriu que havia sido implicado no inquérito de prostituição quando um agente federal contatou sua equipe na sexta-feira, segunda a pessoa envolvida no caso.

O governador informou seus principais consultores no domingo à noite e nessa manhã sobre seu envolvimento. Ele cancelou seus eventos públicos na segunda-feira e programou a declaração para essa tarde depois das acusações feitas pelo “The New York Times”.

Os consultores do governador pareciam chocados enquanto ele falava, e um deles começou a chorar quando esperava Spitzer fazer sua declaração em Manhattan.

O homem descrito como cliente 9 combinou de se encontrar com uma prostituta que era parte da rede, Emperors Club VIP, na noite do dia 13 de fevereiro. Spitzer viajou para Washington aquela noite, de acordo com uma pessoa que sabia de seus arranjos de viagem.

O depoimento afirma que o cliente 9 se encontrou com a mulher no quarto de hotel 871, mas não identifica o hotel. Spitzer ficou no Hotel Mayflower em Washington nesse dia, de acordo com uma fonte. O quarto 871 do Hotel Mayflower estava registrado sob outro nome naquela noite.

Procurador-gerales federais raramente acusam clientes em casos de prostituição, que geralmente são vistos como crimes federais. Mas o Ato Mann, aprovado pelo Congresso em 1910 sobre prostituição, tráfico humano e o que era visto na época como imoral, recrimina transportar alguém entre Estados com o propósito da prostituição. Os quatro réus no caso aberto semana passada foram acusados com esse crime, junto com vários outros.

Quem é Spitzer

Spitzer teve um primeiro ano difícil como governador, abalado por uma mistura de escândalos e derrotas legislativas. Nas últimas semanas, entretanto, ele parecia ter se recuperado, com o seu Partido Democrata inclinado a ganhar controle total do Senado no Estado pela primeira vez em quatro décadas.

Spitzer conquistou atenção nacional quando era procurador-geral do Estado e realizou uma caçada rígida aos delitos em Wall Street, além de processar pelo menos duas redes de prostituição como chefe da força tarefa do estado contra o crime organizado.

Em um desses casos em 2004, Spitzer falou com repugnância e raiva depois de anunciar a prisão de 16 pessoas por operarem uma rede de prostituição de luxo fora da Staten Island, em Nova York.

“Essa era uma operação sofisticada e lucrativa com uma estrutura de gerenciamento em camadas”, Spitzer disse na época. “Entretanto, não era nada mais que uma rede de prostituição”.

Durante meses, Albany esteve envolvida em brigas e acusações de trapaças. O promotor do distrito irá cuidar dos assuntos nos próximos dias como resultado da investigação do escândalo de Spitzer.

- Danny Hakim e William K. Rashbaum

Leia mais sobre: prostituição em Nova York





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