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Editorial: a América do Sul está em pé de guerra?

06/03 - 18:35 - The New York Times

A América do Sul já teve inúmeros conflitos em fronteiras. Mesmo assim, é difícil acreditar que no século 21, os governos eleitos democraticamente na Colômbia, Equador e Venezuela falem de guerra.

A decisão da Colômbia de enviar forças para o Equador no sábado e matar um comandante da guerrilha colombiana foi uma violação da soberania do Equador – um assunto delicado em qualquer lugar, mas especialmente na América Latina. O Equador imediatamente cortou laços diplomáticos e disse que iria enviar tropas para sua fronteira com a Colômbia, ao norte.

A Venezuela – cujo território não foi violado – entrou no meio. O presidente Hugo Chávez, que prospera nessas crises, expulsou o embaixador da Colômbia, enviou tropas para sua fronteira e ameaçou bloquear o comércio. A Colômbia então acusou a Venezuela e o Equador de ajudar e ser cúmplice das Forças Revolucionárias da Colômbia, o grupo guerrilheiro conhecido como Farc.

Recebemos garantias, na quarta-feira, que a Organização dos Estados Americanos decidiu enviar uma comissão para investigar o ataque e convocou uma reunião de ministros do exterior para analisarem os resultados.

O Equador e a Colômbia devem resolver suas diferenças pelos meios diplomáticos. Como primeiro passo, Rafael Correa e Álvaro Uribe, presidente da Colômbia, devem rejeitar a intervenção e manipulação do líder da Venezuela. Eles devem reconhecer que ele, cínica e perigosamente, está tentando usar sua disputa para reacender suas próprias bandeiras políticas.

Apesar da falta de confiança pessoal entre o esquerdista Correa e Uribe, de direita, Equador e Colômbia já cooperaram no passado. Correa diz que as forças equatorianas já desmancharam vários acampamentos das Farc.

A Colômbia deve garantir que irá respeitar a fronteira com o Equador e que tais ataques não se repetirão. O Equador, em retorno, deve dar certeza a Colômbia que não está auxiliando a violenta guerrilha que aterrorizou colombianos durante décadas.

O governo da Colômbia afirma que durante a incursão, suas tropas capturaram um computador das Farc que continha evidências de que o governo de Chávez deu US$ 300 milhões ao grupo. A Colômbia também disse que arquivos no computador indicam que o governo de Correa está abrigando integrantes da guerrilha.

O Equador e a Venezuela negaram as acusações, mas elas são preocupantes. Os dois governos deverão ser condenados pela OEA se as informações forem verdade. Antes disso ser solucionado, a Colômbia deverá compartilhar o computador e seus dados com a organização.

No momento, Correa e Uribe devem diminuir sua retórica e começar uma discussão séria sobre como eles podem, juntos, reforçar sua fronteira contra as Farc.

Chávez deve ficar quieto. Quanto mais ele se mete, fica mais fácil de acreditar que as acusações contra ele são verdadeiras.





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