29/02 - 14:59 - The New York Times
O Congresso e a Casa Branca estão se preparando para aumentar os gastos em programas para combater a Aids e doenças relacionadas ao redor do mundo, enquanto acabam com as barreiras ideológicas que atrapalharam o empenho de diminuir a propagação do vírus da Aids. Será um fortalecimento bem-vindo de um programa de ajuda externa que já era uma das maiores conquistas da administração Bush.
O Comitê de Relações Exteriores da Câmara aprovou, nessa semana, um compromisso bipartidário, baseado em negociações para apoiar campanhas contra a Aids, tuberculose e malária nos próximos anos. Isso representa um grande aumento dos US$ 19 bilhões destinados aos primeiros cinco anos do programa e um crescimento significante para o novo fundo que o presidente Bush pediu. O presidente originalmente propôs US$ 30 bilhões durante cinco anos, principalmente para lutar contra a Aids, enquanto que a nova lei iria autorizar entre US$ 37 a 41 bilhões à luta contra a doença.
O programa da administração começou de maneira pequena há cinco anos para cuidar de uma possível emergência enquanto a epidemia da Aids saía do controle. Ele já forneceu tratamento para quase 1.5 milhão de homens, mulheres e crianças, além de apoio para milhões de outros. O foco para os próximos cinco anos será tornar parte dos ganhos iniciais sustentáveis.
Em uma medida a longo prazo, o dinheiro será usado para treinar parte dos 144 mil funcionários da saúde nos próximos cinco anos para cuidar de pessoas infectadas com o HIV, o vírus que causa a Aids. Isso é um começo para amenizar a severa falta de funcionários da saúde no mundo em desenvolvimento, que alguns estimam que precisa de milhões. Outras nações doadoras precisarão continuar a contribuir para a iniciativa de treinamento também. A restrição ideológica mais problemática do programa – a exigência de que um terço dos fundos usado em serviços de prevenção seja usado em educação de abstinência – foi bem amenizada. A lei exige um programa de prevenção balanceado, que promova abstinência até o casamento e fidelidade depois, assim como o uso de camisinhas. Também demanda que os países relatem se os fundos de abstinência e fidelidade ficarem abaixo de uma determinada porcentagem, mas não dá um número exato que precisa ser alcançado.
Espera-se que a Câmara aprove essa lei em um futuro próximo, e o Senado está considerando sua própria versão. Apesar de alguns republicanos reclamarem da quantidade de dinheiro proposta, é importante que o Congresso destine todos os US$ 50 bilhões, se possível. Mesmo essa soma provavelmente não daria acesso universal ao tratamento para todas as pessoas infectadas pelo HIV, um objetivo que as principais nações industrializadas afirmam estarem perseguindo.
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