22/02 - 12:03 - The New York Times
Após semanas de uma assustadora onda de violência tribal, líderes rivais do Quênia parecem estar próximos a um acordo político. Isto seria a única esperança para dar fim às mortes, bem como a única chance para a salvação de um país que até recentemente era uma das nações mais estáveis e prósperas do continente africano.
Nós fortemente encorajamos o presidente Mwai Kibaki para concluir e programar um acordo que divida o poder com o seu principal oponente, Raila Odinga. Qualquer atitude menos eficaz daria ainda mais combustível à fúria e à destruição do país. Juntos, os dois devem rapidamente realizar a reforma constitucional, raiz de todo o caos vivido pela nação.É terrível a rapidez como o Quênia se fragmentou após as eleições presidenciais do mês de dezembro.
Desde então a violência tem causado pesadelo entre a sociedade: estupros, mutilações e limpezas étnicas. Mais de mil pessoas foram mortas e mais de 300 mil desabrigadas. Na medida em que a situação parece mais calma nos últimos dias, a economia permanece estagnada e observadores alertam que todos os segmentos continuam armados e prontos para o ataque.
Diplomatas da Organização das Nações Unidas (ONU), da União Africana e dos Estados Unidos passaram semanas pressionando Kibaki e Odinga para um compromisso. Na última quinta-feira, o governo queniano anunciou que criaria um novo cargo de primeiro-ministro para Odinga. Nenhum acordo será suficiente, caso Kibaki não abra mão de algumas de suas autoridades e responsabilidades. Odinga merece um papel relevante – e a sobrevivência do Quênia exige que isto seja feito imediatamente.
Tal medida ainda não seria suficiente. O governo deve punir os responsáveis pela violência e oferecer novas casas para os desabrigados. Uma comissão independente – composta pelos líderes mais respeitáveis do país – deve ser estabelecida com o objetivo fundamental de descobrir os verdadeiros fatos da votação de dezembro, bem como organizar meios para reformar e reforçar o sistema eleitoral.
A paz não irá reinar no país até que o Quênia ajuste as raízes dos problemas que colocaram vizinhos contra vizinhos, e grupos étnicos contra outros. Este é um sistema onde o “vencedor leva tudo”; onde presidentes estão a frente de poderes ilimitados e favorecem membros de seu próprio grupo étnico. Kibaki é um Kikuyu, o maior e mais poderoso grupo étnico do Quênia, enquanto Odinga é um Luo, tribo que se sente injustiçada pela divisão do poder.
O governo deve achar caminhos para a criação de novos empregos, bem como elaborar uma divisão mais justa de terras. O Quênia necessita de um sistema de governo equilibrado, que forneça voz, direito e senso de segurança a todos os grupos do país.
Para sair do abismo, a nação ainda precisa de uma forte ajuda externa. A comunidade internacional deve estar pronta para estimular reformas fundamentais. Aliados têm a necessidade também de impor punições a todos que obstruírem o caminho para a restauração do país.
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