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Editorial: o fechamento da revista Zanan

07/02 - 11:54 - The New York Times

O presidente do Irã Mahmoud Ahmadinejad e seus aliados estilo linha-dura tomam medidas contra os Estados Unidos e outros inimigos externos, embora temam de fato seus próprios cidadãos.


O presidente e seus seguidores estão nervosos com o fato de uma possível perda nas eleições parlamentares do próximo mês, e ainda frente à votação presidencial que acontece no ano que vem. Qual seria então a solução covarde? Deixar possíveis rivais fora das eleições, além de silenciar aqueles que podem ser uma voz forte para o povo iraniano – como a Zanan, uma das revistas femininas mais conhecidas do país, e sua corajosa editora, Shahla Sherkat.

Autoridades do governo fecharam a revista na última semana.

Ahmadinejad, com o apoio da ala mais conservadora do país, ganhou as eleições de 2005 com a promessa de reforma econômica e fim da corrupção política. O líder falhou no cumprimento de ambas as ofertas. Em uma época onde o petróleo beira a marca dos US$ 100 o barril, a população iraniana padece com a falta de alimentos, desemprego e inflação desacelerada.

O líder iraniano tentou divergir a atenção para tais falhas com constantes ameaças a Israel, negação do Holocausto e divergências com o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre suas ambições nucleares.

Com receio, Ahmadinejad e seus aliados ainda pressionam a comissão eleitoral para que esta rejeite um grande número de candidaturas de moderados e reformistas. Diversos candidatos já foram notificados que não poderão participar das eleições. De acordo com fontes políticas, 8.16% dos candidatos atuais ao Parlamento são mulheres, índice inferior ao de quatro anos atrás, quando era registrado 9.9%. Para fazer frente à tentativa do governo de deixá-las fora da corrida, algumas mulheres falam agora em organizar uma chapa exclusivamente feminina de candidatas.

A ordem de fechamento da Zanan, poderoso ícone feminino, é o último escândalo que evidencia o quão Ahmadinejad e seus mulás se esquivam de qualquer tipo de debate. Tal conjuntura deve ser revertida imediatamente.

Sherkat, ex-revolucionária religiosa que se transformou em uma feminista pragmática, conduziu a revista por 16 anos, com 152 edições publicadas, passando por cima de pressões políticas e financeiras. Até hoje conseguiu trabalhar para informar seus leitores sem alimentar a fúria dos mulás. De acordo autoridades iranianas, a revista representava “uma ameaça à segurança psicológica da sociedade”, uma vez que mostrou mulheres iranianas sob um “aspecto sombrio”.

A verdade é que a revista respeitou e presenteou mulheres iranianas com artigos sobre saúde, maternidade, assuntos legais, literatura e realizações femininas. Um arquivo recente discutia que leis davam tratamento desigual a mulheres em países islâmicos, e que isso poderia ser modificado. A única ameaça psicológica que a Zanan oferecia era a visão clara de um regime autoritário e anti-feminista que rege a sociedade do Irã.

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