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Quênia agora sofre com problemas de roubos

01/02 - 19:16 - The New York Times

NANDI HILLS, Quênia – A estrada que ia de Eldoret para Kericho costumava ser uma das mais belas do país, uma faixa de asfalto que passava por luxuosas fazendas de chá, canaviais densos e montanhas verdes.

Agora é um antro de adolescentes com facões, uns mascando caules de cana-de-açúcar, outros caindo de bêbados.

Na sexta-feira, havia pelo menos 20 pontos de fiscalização em um percurso de 160 quilômetros e em cada barricada – que pode ser uma cabine telefônica tombada, um caminhão queimado ou um tronco retorcido de uma árvore de mais de 200 quilos – multidões de jovens brigões pulavam na frente dos carros, não os deixando passar.

A crise no Quênia que já deixou mais de 800 mortos desde uma eleição fraudada em dezembro é certamente étnica. Mas há outro lado mais simples aparecendo.

“Dê-nos dinheiro”, exigiu um jovem rapaz que ficou audaciosamente na estrada com um arco em sua mão e várias flechas envenenadas em suas costas.

Quando o motorista obedeceu, o jovem rapidamente examinou a nota (equivalente a cerca de 70 centavos) e a colocou em seu bolso.

O interior do Quênia parece estar entrando em um momento sem lei, não característico desse país e que lembra mais a cultura das fiscalizações da Somália ou de Darfur, no Sudão.

Mas apesar de grandes temores de o Quênia explodir após um segundo deputado de oposição ter sido morto na quinta-feira, não houve notícias de vinganças na sexta-feira. As sempre tensas favelas ao redor de Nairóbi, a capital, estavam silenciosa. A retórica política parecia estar ficando um pouco mais conciliatória.

Ban Ki-moon, secretário-geral da ONU, visitou o Quênia na sexta-feira e disse ter ficado “encorajado pelo espírito construtivo que prevaleceu em minhas discussões até agora”.

Mesmo assim, Ban disse que ainda estava muito preocupado com a situação.

“A crise atingiu níveis intoleráveis de mortes, destruição, deslocamentos e sofrimento”, ele disse. “Isso é inaceitável e precisa parar”.

Ele disse que a “situação volátil de segurança” estava dificultando a ajuda humanitária para milhares de pessoas desabrigadas pelos conflitos. Na sexta-feira, milhares continuaram a fugir de suas casas.

“Eu apelo para todos os quenianos a darem um fim na violência que feriu e enfraqueceu esse país abençoado”, disse Ban.

Os problemas começaram no final de dezembro quando o presidente do Quênia, Mwai Kibaki, foi declarado vencedor de uma eleição muito contestada que observadores internacionais afirmaram ter sido muito fraudada.

Raila Odinga, o principal líder de oposição que perdeu por uma pequena margem de diferença, disse que a eleição foi roubada, e alguns observadores ocidentais concordaram com ele.

As pessoas no Quênia tendem a votar de acordo com a etnia e essa eleição, mais do que qualquer outra em sua história, polarizou o país. Kibaki pertence a etnia kikuyu e Odinga, a luo. No caos que surgiu após a eleição muitos kikuyus foram mortos por membros de grupos étnicos que apoiavam Odinga.

Desde então, Kibaki se manteve silencioso, com seu círculo de consultores cuidando da oposição para ele. Ele permaneceu tão distante e fora dos olhos públicos quanto seus críticos o acusaram durante os cinco anos do primeiro mandato de sua presidência.

Mas na sexta-feira ele disse as palavras mais fortes e acusadoras até agora.

“A crise atual surgiu depois que a oposição contestou o resultado da eleição presidencial e instigou uma campanha de violência civil”, disse Kibaki em uma reunião de líderes africanos na Etiópia. “Existem inúmeras provas que indicam que a violência foi premeditada sistematicamente dirigida a comunidades em particular”.

- Jeffrey Gettleman





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