10/12 - 10:46 - The New York Times
Líderes por todo o mundo dizem estar desesperadamente preocupados com a situação de Darfur. Anos se passaram até que o Conselho Internacional de Segurança das Nações Unidas aprovasse o envio de 26 mil missionários de paz, na tentativa de conter o extermínio. A despeito da missão agendada para o início do ano que vem, muitos países ainda ignoram o apelo da ONU para o recrutamento de aeronaves. Além disso, o governo sudanês – que lidera o genocídio – rejeita qualquer cooperação para a comissão diplomática.
Cartum desaprova a vinda de unidades de paz não-africanas – incluindo um batalhão tailandês e a unidade especial das forças do Nepal. O governo ainda tenta obstruir o uso de helicópteros, ao se recusar disponibilizar territórios para a base das forças de manutenção de paz. Cartum nunca se utilizou de tantos meios como atualmente para demonstrar seu desprezo para com as Nações Unidas.
Após a indicação de Ahmad Harun, ministro do Estado para assuntos humanitários, por responsabilidade de crimes de guerra cometidos em Darfur, o presidente do Sudão, Omar Hassan al-Bashir, não se opôs ao veredicto. Ao contrário, o líder submeteu Harun à fiscalização do comitê da nova missão de paz.
Al-Bashir e seus aliados serão os maiores, mas não os únicos problemas.
Há ainda muitas dúvidas sobre a real possibilidade da ONU em administrar tamanha operação de paz. Por enquanto, muitos atores internacionais – que inclui a África do Sul, Rússia, China, Ucrânia e a Otan – não deram muita atenção ao apelo do secretário geral Ban Ki-moon para obtenção de helicópteros e aviões para a realização das missões na região.
Os Estados Unidos já disponibilizaram tropas para a nova causa, prometeram US$ 40 milhões em equipamentos e ainda ofereceram o pagamento de 26% do total dos custos da operação. Caso novos reforços não se manifestem, Washington certamente terá ainda mais que agir por sua própria conta.
Embora alguns dados apontem uma redução no número de mortes em Darfur, a região ainda padece de uma crise sem fim. Milhares de pessoas se concentram em campos refugiados há mais de 5 anos , como uma fuga das milícias Janjaweed do governo sudanês. A vida dentro dos acampamentos, apesar da ocorrência desenfreada de crimes, é mais suportável que a vida fora deles.
A população de Darfur eleva as esperanças frente à missão ONU - União Africana. Contudo, por enquanto, não há indícios fortes para a manutenção da estabilidade na região.
O Sudão, por sua vez, evidenciou novamente seu desprezo para com o sofrimento de Darfur. Caso mais cobranças pela comunidade internacional não sejam executadas, o Sudão continuará a obstruir as missões de paz e dispersar ainda mais violência pela região. A China, uma das maiores parceiras comerciais do Sudão, e a Liga Árabe, deveriam unir forças para manter a pressão diplomática sobre o governo.
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