14/11 - 19:41 - The New York Times
Utilizando-se de apenas cinco palavras, o general Pervez Musharraf deixou claro para jornalistas do The Times como está distante do verdadeiro significado de democracia, além das inúmeras promessas não realizadas de um futuro estável e próspero para o Paquistão.
Questionado sobre o pedido de renúncia feito pela ex-premiê Benazir Bhutto, o general e presidente do Paquistão afirmou que a líder de oposição, sob prisão domiciliar, “não tem o direito de questionar”. É mesmo?
Apesar de acreditar na continuidade do regime ditatorial, Musharraf vem perdendo espaço político. Contrária ao estímulo dos Estados Unidos, que viam na negociação entre Bhutto e o general a chave principal para a volta de democracia paquistanesa, a ex-premiê repudiou qualquer tipo de acordo de divisão de poder em um governo futuro. E há ainda quem concorde com tal imposição de estado de emergência, como propósito de assegurar eleições livres e diretas?
O mundo sabe o que aconteceria caso o general estivesse realmente decidido renunciar a seu posto. Ele deixaria a liderança armada e restabeleceria a Suprema Corte que destituiu. Dessa forma a oposição não consideraria sua “reeleição” como inválida - especialmente se estabelecida após o decreto de estado de emergência no país.
Em entrevista, o general desconsidera a Constituição paquistanesa – e apela diretamente ao presidente George W. Bush e à secretária de estado dos Estados Unidos Condoleezza Rice - além de ocultar quando de fato abdicará de seu cargo militar. Ele defendeu de maneira absurda a dissolução da Constituição, o fim da Suprema Corte e a prisão de cerca de 2500 opositores - e não forneceu pista alguma sobre o encerramento do estado de emergência.
Apesar de seu caráter autêntico e agressivo, Musharraf mostra-se bastante enfraquecido. Ele bombardeou o chefe da Comissão Paquistanesa de Direitos Humanos com insultos insignificantes. Maior que o temor em relação a grupos como Al-Qaeda e Taleban, o líder paquistanês demonstrou ainda seu receio em relação à oposição, ao prender líderes contrários a sua política.
O general tem encontro marcado para ainda esta semana com o vice-secretário de Estado John Negroponte. Esperemos que algo seja resolvido. O ditador deveria retirar o estado de emergência, reinstalar o processo constitucional, liberar presos políticos, abrir espaço para os meios de comunicação, renunciar a seu posto no exército, além de aceitar decisões sobre a legitimidade de seu mandato presidencial, fixadas pela Suprema Corte.
Caso contrário, os Estados Unidos, que muniu o país desde o 11 de setembro com mais de US$ 10 bilhões, deveriam repensar a assistência dada ao governo. A verba, inicialmente destinada à segurança de Islamadad e ao anti-terrorismo, vem adquirindo outros fins, como a compra autorizada por Washington de um caça F-16 para o Paquistão.
Os Estados Unidos colocaram o Paquistão no centro de seus interesses. Assim deve permanecer firme na defesa por uma sociedade civil democrática, lutar contra o terrorismo e proteger o arsenal nuclear da nação.
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