06/11 - 15:19 - The New York Times
Ao impor a lei marcial, o general Pervez Musharraf colocou o Paquistão nuclear em um caminho arriscado e relevou o fracasso da política do presidente Bush com um aliado chave na guerra contra o terrorismo. Os acontecimentos não deveriam ter sido uma surpresa para os oficiais da administração. Isso é o que acontece quando a política é centrada em um único governante autocrata.
O general, presidente do Paquistão, justificou sua medida como uma defesa contra militantes islâmicos, mas suas ações desesperadas e repreensíveis – suspender a Constituição, prender juízes, bater em advogados e jornalistas – irá encorajar os extremistas. Elas também aumentarão a raiva e a falta de confiança dos moderados paquistaneses.
Depois de vencer eleições trapaceadas no mês passado, Musharraf esperava uma decisão da Suprema Corte sobre se sua eleição, enquanto ainda era general do Exército, foi legal. Jane Perlez e David Rhode relataram, no “The New York Times”, que o ditador usou poderes militares depois de ouvir que o tribunal iria decidir contra ele. Uma ligação feita às 2h da manhã pela secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, persuadiu o general de tomar ação similar durante os últimos protestos políticos de massa do verão, mas dessa vez nada pode convencê-lo do contrário.
Devolver o Paquistão ao governo civil é um objetivo declarado dos EUA desde que Musharraf tomou o poder em 1999 em um golpe militar. Ele, repetidamente, quebrou as promessas para caminhar nessa direção, usando seu poder de forma vingativa e gastando poder popular forçando rivais ao exílio e intimidando qualquer um que tentasse enfrentá-lo. Em grande parte do tempo, Bush, que diz que não poderá ganhar a guerra contra o terrorismo sem Musharraf, mas também não pode ganhar com ele também, concordou com seus erros.
A natureza faustiana da barganha é mais aparente do que nunca. Além do general ter se mostrado menos comprometido com a luta anti-terrorismo do que o esperado (Al-Qaeda e Taleban estão ressurgindo na fronteira com o Afeganistão), agora ele abandonou qualquer intenção de caminhar rumo a democracia. Bush parece ter conseguido pouca influência com os mais de US$ 10 bilhões de ajuda americana que engordaram os cofres paquistaneses desde 11 de setembro de 2001, com boa parte deles sem explicação.
Foi encorajador ver os advogados paquistaneses desafiarem abertamente a legitimidade do estado de emergência de Musharraf na segunda-feira – apesar da resposta ter sido menos encorajadora. Musharraf primeiro enviou sua polícia para bater nos manifestantes e depois anunciou que as eleições nacionais aconteceriam em janeiro. Nesse momento, o que essa garantia vale?
Os EUA estão cada vez mais com opções ruins. Cortar a ajuda somente tornaria mais difícil de alistar o Exército paquistanês na luta anti-extremista e aumentaria as dúvidas sobre a confiança da América como um aliado. Os EUA deveriam, pelo menos, condicionar o dinheiro na performance do Paquistão na luta contra o terrorismo com alguma maneira de prestação de contas e indo em direção de construir mais partidos políticos, tribunais e escolas. Também deveria considerar discussões com a Índia, o Irã, a China e a Arábia Saudita em como prevenir maior instabilidade no Paquistão.
No fim das contas, a democracia, não a ditadura, é a melhor esperança para um Paquistão saudável. Incentivar o acordo de Musharraf com a ex-premiê Benazir Bhutto, apesar de desagradável, pode ser um caminho de volta do abismo se realmente incluir um comprometimento sério do general com as eleições, se Bhuto insistir que elas serão abertas a todos os partidos e se Bush der um apoio sério a ela.
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