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Google anuncia seu sistema operacional para celulares

05/11 - 17:11 - The New York Times

SAN FRANCISCO – O Google fez sua entrada no mundo sem fio, nesta segunda-feira, anunciando que liderará uma ampla aliança industrial para transformar celulares em poderosos computadores portáteis.

Os celulares baseados no software do Google não devevem chegar às lojas até o segundo semestre de 2008. Eles serão produzidos por várias empresas, incluindo a HTC, LG, Motorola e Samsung que devem funcionar com operadoras como T-Mobile e Sprint nos EUA.

Os aparelhos também estarão disponíveis pela maior operadora de telefonia móvel, a Telecom China, com 332 milhões de assinantes no país. No Japão, eles devem operar com a NTT DoCoMo e KDDI, assim como a T-Mobile na Alemanha, Telecom Itália e Telefónica na Espanha.

Os 34 integrantes da Aliança Aberta de Celulares, como o grupo é chamado, inclui muitos dos principais produtores de chips de celulares, como a Broadcom, Intel, Qualcomm, Texas Instruments, SiRF Technology Holdings, Marvell Technology Group, Nvidia e Synaptics. Empresas como EBay (que tem o serviço de ligações pela internet Skype), Nuance Communications e Wind River Systems também são integrantes do grupo.

A tecnologia fornecerá aos produtores de celulares e operadoras "sem fio" habilidades equivalentes, com potencial de ultrapassar, aqueles usando softwares de smartphone feitos pela Apple, Microsoft, Nokia, Palm, Research in Motion, entre outros.

Em contraste com os rivais existentes, o software do Google será oferecido livremente sob termos de licenciamento “abertos”, significando que os produtores de aparelhos poderão usá-lo sem custo nenhum e ficarão livres para acrescentar novas características para diferenciar seus produtos.

Por enquanto, o Google pretende colocar sua marca em um celular. O software dos aparelhos pode nem ter o logo da empresa. Pelo contrário, ele fornecerá o software para que outros construam os aparelhos. A empresa investiu pesado no projeto para garantir que todos os seus serviços estejam disponíveis no sistema. Seu objetivo final é vender publicidade para os usuários de celular, assim como faz nos computadores.

“Não estamos construindo um GPhone; estamos permitindo que mil pessoas construam um”, disse Andy Rubin, diretor da plataforma de celulares do Google, que liderou os esforços de desenvolvimento do software.

Rubin disse que a estratégia “aberta” irá encorajar a inovação rápida e diminuir o padrão para entrar no mercado altamente competitivo de telefonia celular, em que os softwares representam uma parcela cada vez maior do custo de fazer um telefone.

A longa lista do Google de poderosos parceiros ilustra os ataques substanciais que a empresa fez na indústria, assim como os desafios que a empresa gigante dos mecanismos de busca enfrenta. Por exemplo, as duas maiores operadoras nos EUA, AT&T e Verizon Wireless, que juntas somam 52% do mercado, não fazem parte da aliança.

Ainda assim, integrantes do grupo, que contribuíram com tecnologia para o projeto, disseram que tinham bastante esperança para isso acontecesse.

“Assim como o iPhone deu energia à indústria, essa é uma maneira diferente de fazer isso”, disse Sanjay Jha, chefe da Qualcomm, que produz chips usados em telefones. Jha disse que a tecnologia do Google iria adequar as capacidades da internet para os celulares de preços moderados. Ele também disse que as inovações podem acontecer de forma mais rápida, de acordo com a capacidade dos desenvolvedores que estiverem trabalhando no software. Usuários poderiam atualizar seus celulares com novas características e programas de terceiros.

“Hoje, a experiência da internet em aparelhos portáteis não é otimizada”, disse Peter Chou, chefe-executivo da HTC, uma das maiores produtoras de smartphones. “A idéia é fazer isso”, afirmou.

A aliança representa uma ação ousada do Google e seus parceiros que reflete os empenhos da empresa na indústria de computação em fornecer softwares e serviços para lucrar com publicidade. Dessa maneira, a nova estratégia de softwares vira uma potencial ameaça competitiva para a Microsoft e outros desenvolvedores de software e hardware de celulares.

John O´Rourke, gerente da seção Microsoft Windows Mobile, disse que estava cético sobre a facilidade com a qual o Google poderá se tornar uma força poderosa no mercado de smartphone. Ele apontou que demorou mais de uma década para a Microsoft chegar ao estágio em que a empresa está, com negócios com 160 operadores de telefonia móvel em 55 países ao redor do mundo.

“Eles podem dar um componente que é de graça”, ele disse. “Mas você tem que perguntar quais custos adicionais vêm com a comercialização disso? Eu te digo que há vários aparelhos baseados no Linux hoje, e eu não acho que alguém diria que é de graça”.

Espera-se que a Microsoft venda cerca de 12 milhões de celulares Windows esse ano, somando 10% do mercado de smartphone, de acordo com a IDC. A Apple, que começou a vender seu iPhone recentemente, representa 1.8% do mercado.

A aliança liderada pelo Google também apresenta uma questão em potencial para as operadoras de celular, que investiram bilhões para construir suas redes e conquistar clientes. Conforme os telefones se transformam em computadores, elas temem perder a "mina de ouro" da publicidade móvel enquanto o Google e outros pegam sua parte dos lucros.

Jha, da Qualcomm, disse que acredita que o Google está trabalhando com as operadoras para criar uma base em comum.

A entrada do Google na indústria de software de celulares pode representar problemas para, ao menos, uma pessoa: Eric E. Schmidt, chefe-executivo da empresa. Schmidt faz parte da diretoria da Apple, e por mais que o Google não esteja produzindo ou vendendo celulares, ele fornecerá um sistema operacional para seus rivais.

Uma rápida demonstração do software do Google feita recentemente sugere que celulares feitos usando a tecnologia terá características e design similares ao iPhone da Apple. Rubin mostrou um aparelho portátil com tela sensível ao toque que deu uma visão do Google Earth, o software de visualização tridimensional da empresa.

Rubin, que tem 44 anos e é um designer veterano do Vale do Silício, disse que o sistema de software que o Google criou é baseado no sistema operacional do Linux e usa a linguagem Java da Sun Microsystems. Ele é feito para que os programadores possam facilmente construir aplicações que se conectem aos serviços independentes da internet.

Como exemplo, Rubin disse que determinada visão do Google Maps pode, facilmente, ser unida com outro serviço listando a atual localização geográfica de amigos. Ele também disse que um programa como o Gmail pode anexar uma foto a uma mensagem de e-mail, independente se a foto foi salva na memória do telefone ou em um site.

Daqui uma semana, a aliança pretende disponibilizar ferramentas para outros programadores, chamado de kit de designers de softwares, disse Rubin. Mas a tecnologia central não estará disponível sob a licença aberta até que esteja comercialmente pronto no ano que vem.

Leia mais sobre: GPhone 





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