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Editorial: a ditadura antes conhecida como Birmânia

26/09 - 14:49 - The New York Times

Ao enviar tropas para as ruas e impor um toque de recolher, a junta militar de Mianmá criou o cenário ideal para um pesado choque com ativistas pela democracia. Uma firme e unida resposta internacional, seguindo as diretrizes dadas pelo presidente norte-americano George Bush e a União Européia, na Assembléia da ONU, na terça-feira, é a melhor esperança para encorajar uma mudança pacífica em uma nação que suportou 19 anos de um reinado de medo.

A questão é se os países com maior influência sob os generais de Mianmá – China, Rússia e Índia, que vendem armas para o Exército, assim como os integrantes da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN, sigla em inglês), vizinhos do país – terão o bom senso de condenar a repressão e exercer as pressões que somente eles podem realizar, com qualquer esperança de um efeito positivo.


Os protestos pacíficos, que começaram mês passado por causa dos aumentos absurdos no preço do combustível, se tornaram realmente ameaçadores para a junta quando os reverenciados monges budistas se uniram. A crescente multidão ganhou voz para expressar descontentamentos e a junta respondeu de maneira previsível e completamente errada. Tropas foram enviadas paras as ruas e há informações que Daw Aung San Suu Kyi, a líder democrata ganhadora do prêmio Nobel, foi removida da prisão domiciliar para a cadeia.

Os EUA, que há muito tempo impõem sanções ao governo de Mianmá, incluindo proibição de importações, vão expandir o veto de visto para líderes de regimes e aumentar os bloqueios financeiros, comentou Bush na ONU. Apesar de não ter sido dito claramente, acredita-se que o plano inclui investigar contas bancárias do regime em Cingapura e outros países do sudeste asiático, tática utilizada anteriormente por Washington e que obteve algum efeito contra a Coréia do Norte. A União Européia também avisou a Junta, que ela poderia sofrer sanções mais duras caso usasse a força para acabar com o movimento pró-democracia.

Essas eram medidas boas e necessárias, mas a grande de evitar o desastre está com China, Rússia e Índia, que estão lucrando através da Junta e permitindo que ela continue no poder. A China, principal parceira comercial de Mianmá e sede dos Jogos Olímpicos de 2008, fortaleceu a venda de armas para Yangon, antiga Rangoon, incentivando a Rússia e a Índia a fazerem o mesmo para balancear a influência chinesa.

Moscou discutiu sobre fornecer reatores de pesquisa nuclear para a Junta, e a Índia, a democracia com a qual os EUA esperam ter uma relação econômica e segura no século 21 – tinha um importante ministro em Mianmá para debater energia, mesmo enquanto os protestos pela democracia aconteciam.

Há sinais de que a China tenha pedido um recuo dos generais, porém, muito mais deve ser feito, incluindo apoiar as sanções das Nações Unidas contra Mianmá, as mesmas que Pequim e Moscou bloquearam até agora. O enviado da ONU para lidar com Mianmá, Ibrahmim Gambari, deve conversar agressivamente com esses países e com os da ASEAN, para persuadir os generais a recuarem.





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